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Livro 4 Flávio Josefo

Capítulo 37 Flávio Josefo

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"VESPASIANO COMEÇA POR SE APODERAR DE ALEXANDRIA E DO EGITO DE QUE TIBÉRIO
ALEXANDRE ERA GOVERNADOR. DESCRIÇÃO DESSA PROVÍNCIA E
DO PORTO DE ALEXANDRIA.",
"360. Depois dessa escolha de Vespasiano para o supremo cargo do
império, Múcio, os outros chefes de suas tropas e todo o exército rogaram-lhe
que os levasse contra Vitélio. Mas ele quis antes apoderar-se de Alexandria,
porque sabia que o Egito é uma parte considerável do império pela grande
quantidade de trigo que produz, e esperava, se pudesse apoderar-se dele, que
Roma preferiria expulsar Vitélio, do que se ver exposta à carestia, se se
obstinasse em conservá-lo, além de que ele desejava fortalecer-se com as duas
legiões que estavam em Alexandria.
361. Considerava também que tão poderosa província poder-lhe-ia ser de
grande auxílio, contra as vicissitudes da fortuna, pois a região é de mui difícil
acesso do lado da terra e sem portos do lado do mar. Tem por limites do lado do
ocidente as terras áridas da Líbia, do lado do sul, Siené separa-a da Etiópia e as
cataratas do Nilo fecham a entrada para os navios. Do lado do oriente, o mar
Vermelho serve-lhe de defesa até a cidade de Coptom e do lado do norte, esten-
de-se até à Síria e está como defendida pelo mar do Egito, onde não há um só
porto. Dessa forma, parece que a natureza sentiu prazer em fortificá-lo de todos
os lados. O espaço entre Pelusa e Siené é de dois mil estádios e o da navegação,
desde Plintia até Pelusa é de três mil e seiscentos estádios. Os navios podem
navegar no Nilo até a cidade de Elefantina, mas as cataratas de que acabamos
de falar não lhes permitem passar além.
362. A entrada do porto de Alexandria é muito difícil para os navios,
mesmo durante a calma, porque a passagem é muito estreita e rochedos
escondidos no mar os obrigam a se desviar do curso. Do lado esquerdo um
dique forte é como um braço que aperta o porto; ele é fechado do lado direito
pela ilha de Faros, na qual construiu-se uma grandíssima torre, onde uma luz
sempre acesa, cuja claridade se estende à distância de trezentos estádios,
mostra aos marítimos o caminho que devem seguir. Para defender essa ilha da
violência do mar, rodearam-na de cais cujos muros são muito espessos; mas
quando o mar, em seu furor, se irrita pela oposição que encontra, as ondas, que
se levantam umas sobre as outras, estreitam ainda mais a entrada do porto e o
tornam mais perigoso. Depois de ter vencido estas dificuldades, os navios que
chegam ao porto lá permanecem em grande segurança e sua extensão é de
trinta estádios. Para lá se leva tudo o que pode faltar à felicidade dessa fértil
província e de lá se tiram as riquezas de que ela é abundante, para espalhá-las
em todas as outras partes da terra.
363. Assim, não era sem motivo que Vespasiano, para consolidar sua
autoridade, quisesse apoderar-se de Alexandria. Escreveu a Tibério Alexandre,
que era seu governador, que o exército o havia elevado ao império, com tanto
afeto e tanto ardor, que lhe havia sido impossível não aceitar a imposição e ele o
escolhia para ajudá-lo a carregar tão grande peso. Apenas Alexandre recebeu
essa carta fez as legiões prestar juramento e todo o povo também, em nome
desse novo imperador. E eles o fizeram com muitíssima alegria, porque a
maneira como Vespasiano os havia governado os tinha feito a todos admirar a
sua virtude. Alexandre continuou do mesmo modo a se servir para o bem do
império do poder que lhe tinha sido outorgado e procurou preparar todas as
coisas necessárias para a recepção do novo soberano.",