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Livro 4 Flávio Josefo

Capítulo 10 Flávio Josefo

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,
"JOÃO DE GISCALA FOGE PARA JERUSALÉM E ENGANA O POVO, DIZENDO-LHE
FALSAMENTE DO ESTADO DAS COISAS. DIVISÃO ENTRE OS JUDEUS
E MISÉRIAS DA JUDÉIA.",
"298. Quando João e os revoltosos que o haviam seguido chegaram a
Jerusalém, todo o povo reuniu-se junto deles para lhes pedir notícias sobre as
desgraças que havia desabado sobre sua infeliz nação. Estavam eles tão
cansados e ofegantes pela fuga que mal podiam falar, o que respondia muito
bem por eles; nada, porém, fê-los abater o orgulho e eles disseram que não
fugiam dos romanos, mas vinham voluntariamente unir-se a eles, para
combatê-los de um lugar mais vantajoso, porque seria imprudência perecer
inutilmente num lugar tão difícil como Giscala, quando deviam conservar-se
para defender sua capital. João e os seus assim falando, apresentaram a
retirada com um pretexto tão honesto, que muitos acharam que era verdade e a
narração de alguns prisioneiros espantou de tal modo o povo, que ele
considerou a ruína de Giscala como a de Jerusalém. Mas João, sem demonstrar
a menor vergonha, por ter abandonado na fuga um número tão grande de
pessoas, tudo fez para incitá-los à guerra, animando-os com a persuasão de
que eles eram muito mais fortes que os inimigos. Procurava persuadir aos
simples de que mesmo que os romanos tivessem asas, jamais poderiam entrar
em Jerusalém, e disso não havia melhor prova do que o extremo trabalho que
tiveram para tomar pequenas praças da Galiléia, onde todas as suas máquinas
foram destruídas. Os moços deixavam-se enganar por estas palavras, porém, os
mais velhos, os mais sensatos, previam todas as desgraças e já se
consideravam perdidos.
299. Era grande a perturbação e a confusão que reinavam em Jerusalém;
antes da rebelião que surgiu em seguida, uma parte do povo do campo já se
tinha começado a dividir. Quando Tito, depois da tomada de Giscala, se dirigiu
a Cesaréia, Vespasiano já tinha partido e ele se apoderou de Jamnia e Azoto,
colocou guarnições nas mesmas e levou com ele, regressando, um grande nú-
mero de pessoas que se haviam colocado sob a obediência dos romanos. Todas
as cidades eram agitadas por revoltas e rebeliões e as armas romanas não lhes
davam nem mesmo um momento de folga; elas mesmas, porém, as tomavam
contra si próprias reciprocamente, tal a animosidade entre os que queriam con-
servar a paz e os que desejavam a guerra. A divisão começou pelas famílias que
há muito já eram inimigas; passou depois ao povo, que antes era tão unido e
cada qual se colocava no partido dos que tinham as mesmas idéias e manifes-
tavam-se sem temor quando chegavam a um grande número. Assim, tudo era
agitação e os que desejavam a revolução e a guerra prevaleciam, por sua moci-
dade e coragem, sobre os outros cuja idade, mais madura, levava a abraçar
uma opinião mais sensata.
Em tal confusão cada qual roubava, por primeiro; mas depois de se terem
reunido praticavam abertamente toda sorte de furto e não causavam menos mal
que os romanos. Dessa forma, não havia qualquer diferença entre o mal que as
pessoas sofriam de uns e de outros, senão que era muito mais doloroso ser
assim tratado por homens de sua própria nação do que por estrangeiros.",