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Livro 4 Flávio Josefo

Capítulo 24 Flávio Josefo

123456789101112131415161718192021222324252627282930313233343536373839404142
,
"AQUELES QUE ERAM CHAMADOS DE SICÁRIOS OU ASSASSINOS, APODERAM-SE DA
FORTALEZA DE MASSADA E PRATICAM MIL DEPREDAÇÕES.",
"329. A estes três tão grande males de que acabamos de falar, juntou-se
um quarto que também contribuiu para a ruína de nossa pátria. Havia perto de
Jerusalém um castelo bastante forte, de nome Massada, que nossos reis
tinham ou-trora mandado construir, para lá guardarem seus tesouros, muitas
armas e também para segurança de suas pessoas. Os sicários, ou assassinos,
não eram em número tal que os levasse a cometer seus crimes abertamente,
por isso matavam à traição; apoderaram-se dessa fortaleza e vendo que o
exército romano estava em descanso, e que os judeus se digladiavam em
Jerusalém, imaginaram empreender coisas em que jamais haviam pensado,
nem ousado fazer. Assim, na noite da festa de Páscoa, tão solene entre os
judeus, porque se celebra em memória da sua libertação da escravidão do
Egito, para ir tomar posse da terra que Deus havia prometido aos nossos
antepassados, esses assassinos atacaram de improviso a pequena cidade de
Engedi antes que os habitantes tivessem tido tempo de tomar as armas,
mataram mais de setecentos deles, dos quais a maior parte eram mulheres e
crianças, saquearam todas as casas e levaram todos os despojos para Massada.
Trataram do mesmo modo todas as aldeias e todas as vilas dos arredores; seu
número crescia cada vez mais e não havia um lugar sequer na Judéia que não
estivesse naquele tempo exposto a toda sorte de depredação. Como acontece no
corpo humano, quando a parte mais nobre é atacada por uma grave enfer-
midade, todas as outras também se ressentem, assim essa horrível divisão que
tinha reduzido a tal extremo a capital, abrindo as portas à licença, havia feito
que o mal se espalhasse por toda a parte; nada havia que aqueles celerados não
julgassem poder fazer, impunemente. Após terem devastado tudo o que estava
perto deles, retiraram-se para o deserto, onde, depois de se terem reunido em
grande número para formar, se não um pequeno exército, pelo menos um ban-
do considerável de ladrões, atacaram as cidades e os Templos. Aqueles aos
quais faziam tanto mal não os poupavam quando podiam agarrá-los, mas lhes
era muito difícil, porque eles fugiam imediatamente, com os despojos
conquistados. Assim, podia-se dizer que não havia um lugar sequer na Judéia
que não participasse dos males que faziam Jerusalém perecer.",