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Livro 4 Flávio Josefo

Capítulo 32 Flávio Josefo

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,
HORRÍVEIS DEVASTAÇÕES FEITAS POR SIMÃO NA IDUMÉIA. OS ZELOTES
APODERAM-SE DE SUA MULHER. ELE VAI COM O EXÉRCITO ATÉ ÀS PORTAS DE
JERUSALÉM, ONDE PRATICA INÚMEROS ATOS DE CRUELDADE E FAZ TANTAS
AMEAÇAS, QUE SÃO OBRIGADOS A LHE DEVOLVER A MULHER.",
"348. Simão atravessou em seguida toda a Iduméia e não se contentava de
destruir as cidades e as aldeias; detestava também os campos, porque além dos
soldados que tinha, quarenta mil outras pessoas seguiam-no e não havia
víveres suficientes para tanta gente. Mas sua crueldade natural, que era ainda
aumentada pela ira que tinha contra os idumeus, não contribuía menos que o
restante. Assim, nada mais se podia acrescentar à desolação daquela miserável
província; e um bosque não fica menos desprovido de folhas em suas árvores
depois da passagem dos gafanhotos, do que a região que Simão atravessava
com seu exército ficava desprovida absolutamente de tudo. Aquelas tropas
desumanas saqueavam tudo, incendiavam tudo e sentiam prazer em pisar as
terras semeadas, para torná-las ainda mais duras, do que se jamais tivessem
sido cultivadas.
349. Estes atos de tão cruel hostilidade incitaram ainda mais os zelotes
contra Simão; mas eles não ousaram declarar-lhe uma guerra aberta.
Contentaram-se em armar-lhe ciladas em todos os caminhos e por esse meio
prenderam sua mulher e vários domésticos. Levaram-nos a Jerusalém, com
tanta alegria, como se o tivessem aprisionado a ele mesmo, alegrando-se com a
esperança de que ele deixaria as armas, para reaver sua esposa. Mas a cólera
de Simão superou-lhe a dor de vê-la escrava. Ele chegou até às portas de
Jerusalém e como um animal feroz, quando não se pode vingar dos que o
feriram, descarrega sua raiva sobre tudo o que encontra, ele apanhava a todos,
moços e velhos, que saíam da cidade para colher ervas ou apanhar lenha e os
mandava açoitar até morrer, com tanta crueldade que só faltava, ao seu furor,
saciar-se com suas carnes, depois de lhes ter tirado a vida. Para horrorizar
ainda mais seus inimigos e obrigar o povo a abandoná-los, mandou cortar as
mãos a vários e nesse estado os tornou a mandar para a cidade, com ordem de
dizer publicamente que ele tinha jurado por Deus vivo, que se eles não lhe
restituíssem imediatamente sua esposa, ele entraria na cidade pela brecha e
trataria a todos os habitantes do mesmo modo, como os havia tratado, sem
distinção de idade e sem fazer diferença entre inocentes e culpados. Essas
ameaças espantaram o povo de tal modo, e mesmo os zelotes, que eles lhe
restituíram a mulher; acalmando-se assim sua cólera, ele deixou de cometer
tantos assassínios.",