Livro 3 - Capítulo 32 - Evágrio Escolástico, História Eclesiástica

EXPULSÃO DE MACEDÔNIO E FLAVIANO DE SUAS SÉS.

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Havia outras coisas que causavam aborrecimento secreto a Anastácio. Pois, quando Ariadne desejou investi-lo com a púrpura, Eufêmio, que ocupava a sé arquiepiscopal, negou sua aprovação até que Anastácio lhe apresentasse um acordo, escrito de próprio punho e selado com juramentos temíveis, de que manteria a fé inviolável e não introduziria nenhuma inovação na santa igreja de Deus, caso obtivesse o cetro; documento este que ele também depositou com Macedônio, o guardião dos tesouros sagrados. Ele adotou essa medida porque Anastácio tinha a reputação geral de seguir a doutrina maniqueísta. Quando, porém, Macedônio ascendeu ao trono episcopal, Anastácio desejou que o acordo lhe fosse devolvido, afirmando ser uma afronta à dignidade imperial que o documento mencionado, escrito de próprio punho, fosse preservado. E quando Macedônio se opôs resolutamente à exigência e protestou firmemente que não trairia a fé, o imperador recorreu a todos os artifícios insidiosos para expulsá-lo de sua sé. Consequentemente, até mesmo meninos foram apresentados como informantes, que acusaram falsamente a si mesmos e a Macedônio de práticas infames. Mas quando se descobriu que Macedônio era castrado, recorreram a outros estratagemas; até que, por conselho de Celer, comandante das tropas da guarda real, ele se retirou secretamente de sua sé.

Com a expulsão de Flaviano, outras circunstâncias estão associadas. Pois encontramos alguns homens muito idosos que se lembravam de todos os eventos daquela época. Eles contam que os monges do distrito chamado Cinégica, e de toda a Síria Prima, instigados por Xenaias, que era bispo da cidade vizinha de Hierápolis e que era chamado em grego de Filoxeno, invadiram a cidade em massa, com grande alarido e tumulto, tentando obrigar Flaviano a anatematizar o sínodo de Calcedônia e o tomo de Leão. Indignados com a manifestação de Flaviano e a violenta urgência dos monges, os habitantes da cidade os massacraram, de modo que um grande número deles encontrou sepultura no rio Orontes, onde as ondas realizaram seus únicos ritos funerários. Ocorreu também outra circunstância de magnitude não menor que a anterior. Os monges de Caele Syria, hoje chamada Syria Secunda, por simpatia a Flaviano, que havia levado uma vida monástica em um mosteiro da região de Tilmognon, dirigiram-se a Antioquia com a intenção de defendê-lo. Dessa circunstância, também, surgiram consideráveis ​​problemas. Consequentemente, com base no primeiro ou no segundo acontecimento, ou em ambos, Flaviano foi expulso e condenado a residir em Petra, nos confins da Palestina.

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