Livro 4 - Capítulo 8 - História Eclesiástica do Povo Inglês - Beda

Capítulo 8

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Havia, no mesmo mosteiro, um menino de cerca de três anos de idade, chamado Ésica, que, por ser ainda muito jovem, costumava ser criado na cela das virgens consagradas a Deus e meditar ali. Ali, acometido pela pestilência mencionada, quando chegou ao seu limite, chamou pela terceira vez uma das virgens consagradas a Cristo, dirigindo-se a ela pelo seu próprio nome como se ela estivesse presente: “Ésica, Ésica, Ésica”; e assim, terminando sua vida terrena, entrou na vida eterna. Mas aquela virgem, a quem ele havia invocado ao morrer, logo se viu no mesmo lugar, atingida pela mesma enfermidade, e no mesmo dia em que fora chamada, foi arrebatada desta luz e seguiu aquele que a chamou para o reino celestial.

Da mesma forma, uma das servas de Deus, quando acometida pela doença mencionada e levada ao extremo, começou a clamar repentinamente, por volta da meia-noite, aos seus servos, pedindo-lhes que apagassem a lâmpada acesa. Repetindo o pedido em voz alta, e sem que ninguém lhe obedecesse, ela finalmente disse: “Sei que vocês pensam que estou delirando; mas agora sabem que não é assim, pois digo-lhes a verdade: vejo esta casa tão iluminada que a lâmpada de vocês me parece completamente escura”. E, como ninguém ainda lhe respondia ou concordava com suas palavras, ela disse novamente: “Então, acendam essa lâmpada o quanto quiserem; mas saibam que ela não é minha, pois a minha luz, quando a aurora chegar, virá até mim”. E começou a relatar que um certo homem de Deus, que havia falecido naquele mesmo ano, lhe aparecera, dizendo que, ao amanhecer, ela partiria para a luz da eternidade. A veracidade dessa visão foi comprovada pela morte da menina pouco antes do amanhecer.

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