No ano do eclipse mencionado e da pestilência que se seguiu, durante a qual o Bispo Colman, vencido pela vontade unânime dos católicos, retornou ao seu povo, Deusdedit VI, bispo da igreja de Dorset, morreu na véspera dos Idos de Julho; mas Erconbert, rei de Canterbury, também morreu no mesmo mês e dia, e deixou o trono para seu filho Egbert, que ele havia assumido por oitenta anos. Então, não muito tempo depois do fim do episcopado, foi enviado a Roma por ele e por Oswy, rei dos Nortúmbrianos, como mencionamos brevemente no livro anterior, Uighard, um presbítero, homem muito versado em disciplinas eclesiásticas, de origem inglesa, que solicitou ser ordenado arcebispo da igreja inglesa; eles também enviaram presentes apostólicos ao papa, e não poucos vasos de ouro e prata. Ao chegar a Roma, cuja sé apostólica era chefiada por Vitaliano na época, após ter explicado o motivo de sua viagem ao já mencionado papa apostólico, pouco tempo depois ele e quase todos os seus companheiros que o acompanhavam foram dizimados por uma peste.
Mas o papa apostólico, tendo deliberado sobre esses assuntos, procurou diligentemente quem deveria enviar como arcebispo às igrejas dos ingleses. Ora, no mosteiro de Niridan, não muito longe de Nápoles, na Campânia, estava o abade Adriano, um homem de ascendência africana, diligentemente instruído em literatura sagrada, versado tanto em disciplinas monásticas quanto eclesiásticas, e muito versado em grego e latim. O papa o convocou e ordenou que viesse à Grã-Bretanha após aceitar o episcopado. Ele, respondendo que não era digno de tal posição, disse que poderia mostrar que outro, cujo conhecimento e idade fossem mais adequados para assumir o episcopado, poderia ser escolhido. E quando ofereceu ao papa um certo monge de um mosteiro virgem vizinho, chamado André, este foi julgado digno do episcopado por todos que o conheciam. Mas o peso de sua enfermidade física o impedia de se tornar bispo. E novamente Adriano foi instado a aceitar o episcopado; que, pedindo uma trégua, talvez pudesse encontrar outra pessoa para ser ordenada bispo a tempo.
Naquela época, havia em Roma um monge conhecido de Adriano, chamado Teodoro, nascido em Tarso, na Cilícia, homem de erudição secular e divina, instruído em grego e latim, de caráter íntegro e de idade venerável, isto é, sessenta e seis anos. Tendo-o oferecido ao papa, Adriano obteve sua ordenação como bispo; contudo, sob as seguintes condições: que ele próprio o conduzisse à Britânia, visto que já havia visitado duas partes da Gália por diversos motivos, e por isso possuía maior conhecimento do caminho para realizar essa viagem, além de contar com homens suficientes à sua disposição; e que, sendo seu colaborador na doutrina, zelasse diligentemente para que ele não introduzisse nada contrário à verdade da fé, segundo o costume dos gregos, na igreja que presidia. Este subdiácono, após ser ordenado, esperou quatro meses até que seu cabelo crescesse o suficiente para ser cortado em forma de coroa; pois recebera a tonsura oriental à maneira do santo apóstolo Paulo. Ele foi ordenado pelo Papa Vitaliano no ano da encarnação do Senhor, 668, no sétimo dia do sétimo mês, domingo, Calendas de abril. E assim, juntamente com Adriano VI, nas Calendas de junho, foi enviado à Britânia. Quando ambos chegaram por mar a Marselha e, em seguida, por terra a Arles, e entregaram a João, Arcebispo daquela cidade, as cartas de recomendação do Papa Vitaliano, foram detidos por ele até que Ebrino, o ancião da casa real, lhes concedeu permissão para irem aonde quisessem. Tendo recebido essa permissão, Teodoro partiu para Agilberto, Bispo de Paris, de quem já falamos, e foi gentilmente recebido por ele, permanecendo lá por um longo tempo. Adriano foi primeiro para Emme de Senon e, depois, para Faro de Meld, bispos, e permaneceu sob sua jurisdição por um longo tempo, pois a aproximação do inverno os obrigara a permanecer em repouso onde quer que pudessem. Quando certos mensageiros informaram ao rei Ecgbert que ele era o bispo que haviam solicitado ao prelado romano no reino dos Francos, este imediatamente enviou seu governador Raedfrid para buscá-lo. Ao chegar, recebeu Teodoro com a permissão de Ebrino e o conduziu a um porto chamado Quintauco, onde, cansado de sua enfermidade, permaneceu por algum tempo. Quando começou a se recuperar, navegou para a Britânia. Mas Adriano Ebrino o deteve, pois suspeitava que ele carregasse alguma embaixada do imperador aos reis da Britânia contra o reino, pelo qual ele próprio nutria grande preocupação. Contudo, ao constatar que Teodoro não possuía tal missão, absolveu-o e permitiu que seguisse seu caminho. Assim que Teodoro chegou, ofereceu-lhe o mosteiro do bem-aventurado Apóstolo Pedro, onde, como já mencionei, os Arcebispos de Cantuária costumam ser sepultados. Pois, quando Teodoro estava de partida, o Senhor Apostólico ordenou que ele providenciasse em sua diocese um lugar onde pudesse viver dignamente com seu povo.