Uma serva devota a Deus, chamada Hildilid, sucedeu a Etelburgo no ofício de abadessa, e por muitos anos, isto é, até sua velhice, presidiu o mesmo mosteiro com vigor, tanto na observância da disciplina regular quanto na providência das coisas pertinentes aos usos comuns. E como, devido à estreiteza do local onde o mosteiro foi construído, aprouve-lhe que os ossos dos servos e servas de Cristo, que ali haviam sido sepultados, fossem removidos e todos transferidos para a igreja da bem-aventurada Mãe de Deus, e sepultados em um só lugar; quantas vezes o brilho da luz celestial apareceu ali, quantas vezes a chama de um odor maravilhoso se manifestou, que outros sinais foram mostrados, qualquer um que ler encontrará no próprio livro do qual extraímos estas coisas.
Não creio que se deva ignorar o milagre da cura, que o mesmo panfleto relata sobre o cemitério da congregação dedicada a Deus. Havia um certo conde nas redondezas, cuja esposa, tendo sido repentinamente acometida por uma escuridão profunda, ficou tão aflita com esse mesmo problema, que aumentava a cada dia, que não conseguia enxergar nem a menor partícula de luz. Enquanto permanecia por algum tempo enclausurada na noite dessa cegueira, ocorreu-lhe subitamente que, se levada a um mosteiro, buscasse as relíquias dos santos, poderia receber a luz que havia perdido. Ela não hesitou, mas imediatamente cumpriu o que havia concebido. Pois, tendo sido conduzida por suas criadas ao mosteiro, por ser próximo, onde professava ter fé absoluta em sua cura, foi levada ao cemitério; e, quando ali orou por um longo tempo de joelhos, logo mereceu ser ouvida. Pois, levantando-se da oração, antes de deixar o local, recebeu a graça da luz que havia pedido; E ela, que fora trazida pelas mãos das criadas, voltou para casa alegremente, com os pés livres para caminhar, como se estivesse perdendo sua luz terrena apenas para esse propósito, para demonstrar com sua cura quão grande era a luz de Cristo no céu, graça da virtude que os santos possuíam.