O venerável João, arquicantor da igreja do santo apóstolo Pedro e abade do mosteiro do bem-aventurado Martinho, que recentemente viera de Roma por ordem do Papa Agatão, liderado pelo reverendíssimo abade Bispo Bento, que já mencionamos, esteve presente neste sínodo e confirmou igualmente os decretos da fé católica. Pois quando o mesmo Bento construiu um mosteiro na Britânia em honra do bem-aventurado príncipe dos apóstolos, perto da foz do rio Wyre, veio a Roma com seu colaborador e associado na mesma obra, Ceolfrido, que depois dele foi abade do mesmo mosteiro, como já fizera muitas vezes antes, e foi honrosamente recebido pelo Papa Agatão, de bendita memória; e pediu e recebeu dele, como fortificação da liberdade do mosteiro que havia criado, uma carta de privilégio confirmada pela autoridade apostólica; Segundo ele, sabia que o rei Egfrido havia autorizado e concedido permissão, por meio da qual, ao delegar a posse da terra, construiu o próprio mosteiro.
Ele também aceitou que o já mencionado Abade João fosse trazido para a Grã-Bretanha, para que pudesse ensinar em seu mosteiro um curso anual de canto, como era feito na Basílica de São Pedro, em Roma. E o Abade João fez como lhe fora ordenado pelo Papa, ensinando aos cantores do referido mosteiro a ordem, o rito do canto e da leitura vocal, e também enviando por escrito tudo o que era necessário ao longo do ano para a celebração das festas litúrgicas. Esses ensinamentos foram preservados no mesmo mosteiro e já foram transcritos por muitos em diversos lugares. Não só o Abade João ensinava os irmãos do mesmo mosteiro, mas também atraía, de quase todos os mosteiros da mesma província, aqueles que eram hábeis no canto. Muitos também se encarregavam de convidá-lo para os lugares onde ensinava.
Mas ele próprio, além do ofício de cantar ou ler, recebera outra comissão do papa apostólico: a de aprender diligentemente qual era a fé da Igreja inglesa e relatá-la a Roma em seu retorno. Pois ele trouxera consigo o sínodo do bem-aventurado Papa Martinho, celebrado não muito tempo antes em Roma com o consentimento de cento e cinco bispos, especialmente contra aqueles que pregavam uma só ação e vontade em Cristo; e o emprestou para ser transcrito no mosteiro do piedosíssimo abade Bento, mencionado anteriormente. Pois tais homens, naquela época, perturbavam grandemente a fé da Igreja de Constantinopla; mas, pela graça do Senhor, foram traídos e depois vencidos. Por isso, o Papa Agato, desejando saber, como em outras províncias, também na Britânia, qual era o estado da Igreja, quão pura ela estava das influências heréticas, confiou essa tarefa ao reverendíssimo abade João, que estava destinado à Britânia. Por isso, quando o sínodo foi reunido na Britânia para esse fim, como já mencionamos, a fé católica estava presente em todos. E uma cópia foi entregue a ele para que a levasse a Roma.
Mas ele, ao retornar ao seu país, pouco depois de atravessar o oceano, foi acometido por uma enfermidade e faleceu; e seu corpo foi levado para Tours por seus amigos, por amor a São Martinho, sobre cujo mosteiro ele presidia, e sepultado com honras. Pois ele foi recebido com a amável hospitalidade daquela igreja quando foi para a Grã-Bretanha, e foi muito suplicado por seus irmãos que, em seu retorno a Roma, viesse por aquela rota e conduzisse a igreja até lá; e lá ele recebeu ajudantes para a viagem e para a obra que lhe fora confiada. Embora tenha falecido durante a viagem, um exemplo da fé católica dos ingleses foi levado a Roma e recebido com muita gratidão pelo papa apostólico e por todos que o ouviram ou leram.