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Livro 5 Flávio Josefo

Capítulo 4 Flávio Josefo

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,
"ESTADO DEPLORÁVEL EM QUE JERUSALÉM SE ENCONTRAVA. A QUE CÚMULO DE HORROR
CHEGAVA A CRUELDADE DESSES FACCIOSOS.",
"380. No meio de tantos males que afligiam Jerusalém de todos os lados e
que tornavam aquela infeliz cidade como um corpo exposto ao furor das feras
mais cruéis, os velhos e as mulheres suspiravam pelos romanos e desejavam
ser libertados por uma guerra estrangeira, das misérias que aquela guerra
doméstica os fazia sofrer. Jamais desolação foi maior do que a daqueles
infelizes habitantes; qualquer resolução que eles tomavam, não achavam meio
de a executar; nem podiam fugir, porque todas as passagens estavam
guardadas; os chefes desses partidos tratavam como inimigos e matavam a
todos os de que suspeitavam querer se entregar aos romanos e a única coisa
em que estavam de acordo, era dar a morte aos que mais mereciam viver.
Ouviam-se dia e noite os gritos dos que lutavam, uns contra os outros; por
maior impressão que causasse o medo nos espíritos, os lamentos dos feridos
feriam-nos ainda mais; tantas desgraças davam sem cessar novos motivos de
aflição, mas o temor sufocava as palavras e por uma cruel imposição retinha os
suspiros no coração; os servidores haviam perdido todo o respeito por seus
senhores; os mortos eram privados da sepultura, todos se descuidavam de seus
deveres porque não havia mais esperança de salvação; a horrível crueldade
daqueles facciosos chegou a incríveis excessos: eles faziam montes de corpos
dos que haviam matado, espezinhavam-nos e deles se serviam como de um
campo de batalha onde combatiam, com tanto furor, que a vista de tão
espantoso espetáculo, obra de suas mãos, aumentava ainda o fogo da ira que
lhes incendiava o coração.",
"CAPITULO 5",
"JOÃO PROCURA CONSTRUIR TORRES COM A MADEIRA PERTENCENTE AO TEMPLO.",
"381. João não teve vergonha de usar, para se fortificar, o material
preparado para usos santos. O povo e os sacerdotes deliberaram construir
arcobotantes, para sustentar as arcadas do Templo e elevá-lo vinte côvados
mais; para isso o rei Agripa havia feito vir do monte Líbano com muitas
dificuldades e despesas, toras de madeira de comprimento e grossura
extraordinários; mas viera a guerra e a obra fora interrompida. João mandou
serrar essa madeira no comprimento que ele julgou necessário para construir
torres que os pudessem defender contra Eleazar. Colocou-as no circuito das
muralhas contra o salão que estava do lado do ocidente e não podia colocá-las
em outro lugar, porque estavam ocupados por degraus. Ele esperava por meio
dessas obras, fruto de sua impiedade, vencer os inimigos; mas Deus confundiu
seu desígnio e tornou seu trabalho inútil, trazendo os romanos antes que ele as
tivesse terminado.",