Livro 5 Flávio Josefo
Capítulo 16 Flávio Josefo
,
"QUANTOS ERAM OS QUE SEGUIAM O PARTIDO DE SIMÃO E O DE JOÃO.
A DIVISÃO DOS JUDEUS FOI A VERDADEIRA CAUSA DA QUEDA DE
JERUSALÉM E DE SUA RUÍNA.",
"401. Os mais valentes e os mais obstinados dos facciosos seguiam o
partido de Simão; seu número era de dez mil, subordinados à autoridade de
cinqüenta oficiais. Havia, além disso, cinco mil idumeus, comandados por dez
chefes cujos principais eram Sosa, filho de Tiago, e Catlas, filho de Simão.
João tinha ocupado com seis mil homens, comandados por vinte oficiais;
e dois mil e quatrocentos zelotes, que haviam passado ao seu partido, tinham
por chefe a Eleazar, a quem antes obedeciam, e Simão, filho de Jair.
Na guerra que esses dois partidos contrários faziam-se reciprocamente, o
povo era-lhes a presa comum e eles não perdoavam a um só deles, se não fosse
de seu partido. Simão era senhor da cidade alta, do maior muro até o vale do
Cedrom: e desse espaço do muro antigo, que se estende desde a fonte de Siloé
até o lugar onde ele se volta para o oriente, e até o palácio de Monobazo, rei dos
adiabenianos, que moram além do Eufrates. Ocupava também o monte Acra,
onde está a cidade baixa, até o palácio real de Helena, mãe de Monobazo.
João, por seu lado, era senhor do Templo e de alguma parte dos
arredores, como também de Oflam e do vale de Cedrom, e tudo o que se
encontrava entre Simão e ele fora consumido pelo fogo e era como uma grande
praça de armas, que servia de campo de batalha. Ainda que os romanos
estivessem acampados às suas portas e estivessem organizando o assédio, sua
animosidade não cessava. Eles reuniam-se somente durante algumas horas
para se opor aos seus inimigos comuns e recomeçavam imediatamente a luta
voltando suas armas contra si mesmos, como se para ser agradáveis aos
romanos, tivessem conjurado sua própria perda. Podemos dizer com verdade
que uma guerra tão cruel em seu interior não lhes era menos funesta que uma
guerra externa, e que Jerusalém não sofreu mais da parte dos romanos, do que
o furor dessas infelizes divisões, que já lhe havia feito experimentar males ainda
maiores. Assim não tenho receio de afirmar que é principalmente a esses
inimigos de sua pátria e não aos romanos, que devemos atribuir a ruína dessa
poderosa cidade, e que a única glória que lhes pode caber é ter exterminado
esses malfeitores, cuja impiedade unida a tantos outros crimes que nem
poderíamos imaginar, lhe tinha destruído a união que lhe dava muito mais
força que suas mesmas muralhas. Não podemos pois dizer, com razão, que os
crimes dos judeus são a verdadeira causa de suas desgraças e o que os
romanos lhes fizeram sofrer, foi um justo castigo? Deixo, porém, a cada qual,
que julgue como lhe aprouver.",