🏠 Home ← Anterior Próximo →

Livro 5 Flávio Josefo

Capítulo 23 Flávio Josefo

12346789101112131415161718192021232425262728293031323334353637
,
"OS ROMANOS DERRUBAM COM SUAS MÁQUINAS UMA TORRE DO SEGUNDO MURO DA
CIDADE. ARDIL DE QUE UM JUDEU DE NOME CASTOR SE SERVE PARA ENGANAR TITO.",
"410. Tito ordenou que se dirigisse o aríete para o meio da torre que está
do lado do norte e ao mesmo tempo mandou atirar tantas flechas, que os que a
defendiam, abandonaram-na, exceto um judeu de nome Castor, homem muito
astuto, e dez outros com ele. Ficaram durante algum tempo debaixo das capas,
sem se mover; quando perceberam que a torre balançava, Castor estendeu os
braços a Tito e rogou-lhe com voz comovida que os perdoasse. O príncipe, cuja
extrema bondade tornava-o fácil a se comover, acreditou naquelas palavras e
na persuasão de que os judeus estavam arrependidos de se terem envolvido
naquela guerra, ordenou que detivessem o trabalho dos aríetes, proibiu que se
atirasse contra Castor e seus companheiros, e permitiu-lhe dizer o que
desejava: Respondeu ele que queria chegar a um acordo. Tito respondeu-lhe
que fá-lo-ia de boa mente e que se todos os outros eram do seu parecer, ele
estava pronto a fazer a paz. Cinco dos que estavam com Castor fingiam ter as
mesmas idéias e os outros cinco clamavam que queriam morrer antes que ficar
escravos dos romanos. Durante essa discussão os romanos não atiravam mais
e haviam cessado o trabalho dos aríetes. Castor, então, mandou dizer a Simão o
que se estava passando, a fim de que ele pudesse aproveitar-se disso, enquanto
continuava a enganar Tito e a fingir tentar persuadir seus companheiros a
querer a paz. Eles, por seu lado, para confirmar a dissimulação, clamavam que
não podiam tolerar tais palavras e depois de se terem dado golpes de espadas,
mas somente sobre as armas, atiraram-se ao chão como se tivessem morrido.
Tito e os que estavam com ele viam o que se passava, lá debaixo, e assim
não podiam ter uma idéia da realidade e se admiravam do excesso do furor e da
obstinação dos judeus e deploravam-lhes a desgraça. Castor foi ferido no rosto
por uma flecha, retirou-a, mostrou-a a Tito, queixando-se severamente por lha
terem atirado. O príncipe mostrou desaprovar o ato e disse a Josefo, que estava
perto dele, que lhe fosse tocar a mão como penhor de sua palavra, mas este
pediu-lhe que lho desculpasse, porque estava certo de que tudo aquilo era falso
e fez também que seus amigos, os quais se ofereciam para fazê-lo, não o fossem
também. Um judeu de nome Enéias, daqueles que se haviam entregues aos
romanos, ofereceu-se para ir e Castor disse-lhe que levasse algo com que
receber o dinheiro que lhe queria dar. Estas palavras aumentaram o
entusiasmo de Enéias e para lá ele correu; quando estava perto de Castor, este
atirou-lhe uma pedra; ele evitou-lhe o golpe e um soldado que vinha atrás dele
ficou ferido. Tão grande embuste fez ver a Tito que a compaixão é prejudicial,
na guerra, e que para se agir com segurança é necessária a severidade. Orde-
nou, então, encolerizado, que se recomeçasse o trabalho com os aríetes e mais
fortemente do que antes; Castor e seus companheiros, vendo, então, a torre
prestes a cair, incendiaram-na e lançavam-se pelas chamas sobre as abóbadas
que estavam em baixo. Os romanos julgaram que eles não tinham medo de se
queimar e admiraram-lhes a coragem.",