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Livro 5 Flávio Josefo

Capítulo 25 Flávio Josefo

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,
"TITO, PARA ASSUSTAR OS JUDEUS, MANDA DESFILAR NA SUA PRESENÇA TODO
O EXÉRCITO. ORGANIZA DEPOIS DOIS ATAQUES CONTRA O TERCEIRO MURO E
MANDA AO MESMO TEMPO JOSEFO, AUTOR DESSA HISTÓRIA, EXORTAR OS
REBELDES A PEDIR-LHE A PAZ.",
"414. Tito resolveu então atacar o terceiro muro. Mas como julgava não ter
necessidade para isso de muito tempo quis dar a oportunidade aos rebeldes de
voltarem à obediência, na persuasão de que a destruição do segundo muro faria
muita impressão no seu ânimo; pois a carestia também era tão grande, que eles
não podiam, com todos os seus roubos, subsistir por muito tempo, ao passo
que seu exército estava provido de tudo. Chegou o dia em que ele devia fazer
uma exibição de todas as suas tropas; dispô-las em ordem de batalha, nos
arrabaldes, num lugar onde os judeus as podiam ver e mandou pagar o soldo a
todos os homens. Jamais infantaria foi mais bem armada, nem cavalos, tão
bem ajaezados; via-se brilhar o ouro de todos os lados e também a prata
naquele grande espaço que elas ocupavam. Mas, quanto tal espetáculo era
agradável aos romanos, tanto parecia terrível aos judeus. Eles tinham vindo de
todas as partes, em tão grande número, para ver aquela exibição, que o antigo
muro de todo o lado do Templo, do lado do norte, e as casas daquele quarteirão
estavam cheios. Até mesmo os mais corajosos não puderam considerar sem
grande estupefação tão poderosas forças, tão bem armadas e organizadas;
teriam talvez mudado de sentimento e de idéias se tivessem esperado obter dos
romanos o perdão dos crimes horríveis que eles tinham cometido contra aquele
pobre povo. Mas só tendo diante dos olhos o horror dos suplícios, que eles
mereciam, julgaram preferível morrer com as armas na mão. A isso podemos
acrescentar que Deus assim o permitia, para misturar os inocentes com os
culpados e a ruína de Jerusalém, com a daqueles celerados, que poderíamos
dizer, com verdade, terem sido os seus mais mortais inimigos.
415. Depois, durante quatro dias, Tito mandou distribuir víveres a todas
as regiões e vendo que os judeus não falavam de paz, dividiu seu exército em
dois, para formar dois ataques do lado da fortaleza Antônia, perto do sepulcro
do sumo sacerdote João, e trabalhar num e noutro em levantar dois terraços
em cada um dos quais encarregava-se toda uma legião. Os idumeus e os outros
que eram do partido de Simão perturbavam muito os que trabalhavam perto do
sepulcro e os partidários de João, os que trabalhavam perto da fortaleza
Antônia, porque, além da vantagem que eles tinham de combater de um lugar
mais elevado, serviam-se utilmente de suas máquinas, de que, pouco a pouco,
tinham aprendido o uso. Tinham umas trezentas delas, a que chamavam de
balestas ou grandes balesteiros e quarenta das que atiravam pedras.
Tito não tinha dúvidas em apoderar-se da praça, mas como desejava
conservá-la, procurava, ao mesmo tempo, em que apertava o cerco, levar os
judeus a se arrependerem de sua revolta, porque ele sabia que as razões são, às
vezes, mais poderosas que as armas. Julgou dever unir os conselhos às ações,
sem se obstinar mais recusando entregar-lhe uma praça que já deveriam consi-
derar como tomada. Ele lançou para esse fim suas vistas sobre Josefo, que jul-
gava o mais capaz de todos, para persuadi-los, porque era de sua nação e falava
a sua língua.",