Livro 5 Flávio Josefo
Capítulo 15 Flávio Josefo
,
"DIVERSAS OUTRAS OBSERVAÇÕES LEGAIS. O SUMO SACERDOTE E SUAS VESTES.
"A FORTALEZA ANTÔNIA.",
"396. Os que eram de família sacerdotal e não podiam exercer o
sacerdócio, porque eram cegos, ficavam com os que estavam puros e não
tinham nenhum defeito corporal. Recebiam a mesma porção que os levitas, que
serviam no altar, mas estavam vestidos como os leigos, porque só aos que
exerciam o serviço divino era permitido usar o hábito sacerdotal.
Os sacerdotes deviam ter vida irrepreensível para entrar no Templo e
aproximar-se do altar. Vestiam-se de linho e eram obrigados a se abster de
vinho, como também a ser mui sóbrios em suas refeições, a fim de exercer
dignamente um ministério tão santo.
397. O sumo sacerdote não subia sempre ao altar, mas somente no dia de
sábado, no primeiro dia de cada mês e nas festas solenes, nas quais todo o
povo tomava parte.
Quando oferecia o sacrifício cingia-se de uma veste de linho, que cobria
uma parte das coxas. Tinha uma outra por baixo e por cima das duas, uma
veste azul, que chegava até os calcanhares, em cuja orla havia campainhas
presas e pequenas romãs de ouro, que representavam os trovões e os
relâmpagos. Seu peitoral estava preso com cinco fitas de diversas cores, isto é,
dourada, púrpura, escarla-te, linho e azul; e os véus do Templo, como já disse,
eram tecidos de cores semelhantes.
O éfode tinha também as mesmas cores; mas havia muito mais ouro e se
parecia com uma couraça. Estava preso por dois broches de ouro, feitos em
forma de serpente, nos quais estavam incrustadas sardônicas de grande valor,
em que tinham gravados os nomes das doze tribos. Havia presas dos dois lados,
doze outras pedras preciosas dispostas de três em três, onde esses mesmos
nomes estavam gravados. Na primeira fila, uma sardônica, um topázio e uma
esmeralda; na segunda, um rubi, um jaspe e uma safira; na terceira, uma
ágata, uma ametista e um lincuro; na quarta, um ônix, um berito e uma
crisólita. Sua tiara era de linho e enriquecida com uma coroa de cor azul, com
uma outra por cima, de ouro, onde as quatro vogais que são as letras sagradas
estavam esculpidas.
O sumo sacerdote não estava sempre revestido desses hábitos, mas usava
um menos rico; só o fazia uma vez por ano, quando entrava sozinho no Santo
dos Santos; nesse dia celebrava-se um jejum geral. Mas falarei em outro lugar
mais detalhadamente da cidade, do Templo, de nossos costumes e de nossas
leis, de que me faltam ainda várias coisas para dizer.
398. Quanto à fortaleza Antônia, estava situada no ângulo que formavam
as duas galerias do primeiro Templo, que estava voltado para o ocidente e o
norte. O rei Herodes o tinha construído sobre uma rocha de cinqüenta côvados
de altura, inacessível de todos os lados; em nenhuma outra obra ele quis
ostentar tanta magnificência. Tinha feito incrustar toda a rocha de mármore,
desde a base até o alto, quer para embelezá-la, quer para torná-la tão
escorregadia, que por ali não se pudesse nem subir nem descer. Tinha rodeado
a torre com um muro de três côvados de altura somente; todo o espaço daquela
torre, contando-se desde o muro, era de quarenta côvados. Embora fosse tão
forte no exterior, havia no interior tantos aposentos, banheiros e salas capazes
de conter um grande número de pessoas, que poderia passar por um soberbo
palácio; as salas eram tão belas e cômodas, que poderia parecer uma pequena
cidade. Seu perímetro tinha a forma de uma torre e a iguais distâncias havia
quatro outras torres: três delas tinham cinqüenta côvados de altura, mas a que
estava no ângulo e voltada para o oriente e o sul, tinha setenta e de lá se podia
ver todo o Templo. Nos lugares onde elas se uniam às galerias, havia, à direita e
à esquerda, degraus por onde, quando os romanos eram senhores de
Jerusalém, havia soldados para impedir que o povo tentasse alguma sublevação
nos dias de festa. O Templo era como a cidadela de Jerusalém, e a torre
Antônia era como a cidadela do Templo; a guarnição lá colocada devia não
somente conservá-la, mas também defender a cidade e o Templo.
399. O palácio do rei Herodes que estava construído na cidade alta podia
também ser tido como outra cidadela.
400. O monte de Beseta, que estava, como disse, separado da fortaleza
Antônia, era o mais alto de todos; unia, em parte, a cidade nova e era o único
que estava fronteiro ao Templo, do lado do norte.",