Livro 4 História Eclesiástica — Teodoreto de Ciro

Capítulo 6: Da eleição de Ambrósio, bispo de Milão

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Assim falou o imperador, e então o conselho suplicou-lhe, sendo ele um príncipe sábio e devoto, que fizesse a escolha. Ele respondeu: “A responsabilidade é demasiado grande para nós. Vós, que fostes dignificados pela graça divina e recebestes a iluminação do alto, fareis uma escolha melhor”. Assim, deixaram a presença imperial e começaram a deliberar à parte. Entretanto, o povo de Milão estava dividido por facções, alguns ansiosos pela promoção de um, outros pela de outro. Os que haviam sido contaminados pela insensatez de Auxêncio defendiam a escolha de homens com opiniões semelhantes, enquanto os do partido ortodoxo, por sua vez, desejavam ter um bispo com os mesmos ideais. Quando Ambrósio, que detinha a principal magistratura civil do distrito, foi informado da contenda, temendo que alguma violência sediciosa fosse tentada, apressou-se a dirigir-se à igreja; imediatamente houve uma trégua na contenda. O povo clamou em uníssono: “Façam de Ambrósio o nosso pastor!”, embora até então ele ainda não tivesse sido batizado. A notícia do ocorrido chegou ao imperador, que imediatamente ordenou que o admirável homem fosse batizado e ordenado, pois sabia que seu julgamento era reto e verdadeiro como a régua do carpinteiro e sua sentença mais precisa que a balança. Além disso, concluiu, a partir do acordo firmado entre homens de opiniões opostas, que a escolha fora divina. Ambrósio recebeu então o dom divino do santo batismo e a graça do ofício arquiepiscopal. O excelentíssimo imperador estava presente na ocasião e diz-se que ofereceu o seguinte hino de louvor ao seu Senhor e Salvador: “Agradecemos-te, Senhor e Salvador Todo-Poderoso; confiei a este homem os corpos dos homens; Tu lhe confiaste as suas almas e mostraste que a minha escolha era justa.”

Poucos dias depois de o divino Ambrósio ter se dirigido ao imperador com a maior liberdade, apontando irregularidades em certos procedimentos dos magistrados, Valentiniano observou que essa liberdade não lhe era novidade e que, estando bem familiarizado com ela, não apenas não se opusera, como concordara de bom grado com a nomeação para o bispado. "Prossiga", continuou o imperador, "como a lei de Deus lhe ordena, curando os erros de nossas almas."

Esses foram os feitos e as palavras de Valentiniano em Milão.

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