Livro 4 História Eclesiástica — Teodoreto de Ciro

Capítulo 20:

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.— De Mavia, Rainha dos sarracenos, e a ordenação de Moisés, o monge.

Nessa época os ismaelitas devastavam a região próxima à fronteira romana. Eles eram liderados por Mavia, uma princesa que não se importava com o sexo que a natureza lhe dera e demonstrava o espírito e a coragem de um homem. Após muitos confrontos, ela fez uma trégua e, ao receber a luz do conhecimento divino, suplicou que à dignidade de sumo sacerdote de sua tribo fosse elevado um homem chamado Moisés, que habitava as fronteiras do Egito e da Palestina. Valente atendeu ao pedido e ordenou que o santo fosse levado a Alexandria, onde, por ser o lugar mais conveniente da região, receberia a graça episcopal. Quando chegou e viu Lúcio tentando tocá-lo, disse: “Deus me livre de ser ordenado por tua mão: a graça do Espírito não nos visita por tua causa”. “De onde”, disse Lúcio, “tivas essa conclusão?” Ele respondeu: “Não falo de conjecturas, mas de conhecimento claro; pois tu lutas contra os decretos apostólicos e proferes palavras contra eles, e para as tuas blasfêmias, teus atos iníquos são equivalentes. Pois que ímpio não zombou das reuniões da Igreja por tua causa? Que homem excelente não foi exilado? Que selvageria bárbara não foi ofuscada pelos teus atos diários?” Assim disse o homem corajoso, e o assassino o ouviu e desejou matá-lo, mas temeu reacender a guerra que havia terminado. Por isso, ordenou que fossem apresentados outros bispos, a quem Moisés havia solicitado. Após receber a graça episcopal da fé digna, Moisés retornou ao povo que o havia invocado e, por meio de seus ensinamentos apostólicos e milagres, os conduziu pelo caminho que leva à verdade.

Esses foram, portanto, os feitos realizados por Lúcio em Alexandria sob a proteção da providência de Deus.

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