1. E com este mesmo Fábio, que se inclinava um pouco ao cisma, também manteve
correspondência epistolar Dionísio, o de Alexandria. Depois de explicar muitos e diferentes
pontos, entre eles o da penitência, nas cartas que lhe dirigiu, ao referir detalhadamente os
combates dos que então acabavam de padecer martírio em Antioquia, no curso do relato narra
também um fato, muito admirável, que será necessário transmitir nesta obra e que diz assim:
2. "Vou porém expor-te este único exemplo, ocorrido entre nós. Havia entre nós um tal Serapion, já
ancião e crente. Durante muito tempo havia vivido de forma irrepreensível, mas logo, na prova,
caiu. Ele pediu muitas vezes (o perdão), mas ninguém fez caso dele, porque inclusive havia
sacrificado. Tendo adoecido, passou três dias seguidos sem poder falar e inconsciente.
3. Quando ao quarto dia se recuperou um pouco, chamou seu neto e disse: 'Até quando, filho,
reter-me-ão? Dá-te pressa, rogo-te, e soltai-me logo. Chama-me algum dos presbíteros'. E dito
isto, ficou novamente sem voz.
4. O rapaz correu à casa do presbítero, mas era de noite e este achava-se enfermo; não podia ir, mas
como eu havia mandado que aos que iam partir desta vida, se pedissem perdão, e principalmente
se antes já o tivessem suplicado, se lhos concedesse, para que partissem com boa esperança, deu
ao rapaz uma porção da Eucaristia, e mandou que a colocasse em algum líquido e a fizesse cair
em gotas na boca do ancião.
5. O rapaz regressou com ela e, quando se aproximava, antes que entrasse, novamente Serapion
voltou a si e disse: 'Já chegaste, filho? O presbítero não pôde vir, mas tu faze rápido o que te foi
ordenado e deixa-me partir'. O rapaz pôs em um líquido (a porção da Eucaristia), e no momento
em que a vertia na boca do ancião, este tomou um pouquinho e imediatamente entregou seu
espírito.
6. Agora bem, não está claro que foi preservado e se manteve até que fosse absolvido e, apagado
seu pecado, pudesse ser reconhecido pelas muitas obras boas que havia feito? Isto diz Dionísio.