Livro 6 – Capítulo XLIV História Eclesiástica

Relato de Dionísio acerca de Serapion

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1. E com este mesmo Fábio, que se inclinava um pouco ao cisma, também manteve

correspondência epistolar Dionísio, o de Alexandria. Depois de explicar muitos e diferentes

pontos, entre eles o da penitência, nas cartas que lhe dirigiu, ao referir detalhadamente os

combates dos que então acabavam de padecer martírio em Antioquia, no curso do relato narra

também um fato, muito admirável, que será necessário transmitir nesta obra e que diz assim:

2. "Vou porém expor-te este único exemplo, ocorrido entre nós. Havia entre nós um tal Serapion, já

ancião e crente. Durante muito tempo havia vivido de forma irrepreensível, mas logo, na prova,

caiu. Ele pediu muitas vezes (o perdão), mas ninguém fez caso dele, porque inclusive havia

sacrificado. Tendo adoecido, passou três dias seguidos sem poder falar e inconsciente.

3. Quando ao quarto dia se recuperou um pouco, chamou seu neto e disse: 'Até quando, filho,

reter-me-ão? Dá-te pressa, rogo-te, e soltai-me logo. Chama-me algum dos presbíteros'. E dito

isto, ficou novamente sem voz.

4. O rapaz correu à casa do presbítero, mas era de noite e este achava-se enfermo; não podia ir, mas

como eu havia mandado que aos que iam partir desta vida, se pedissem perdão, e principalmente

se antes já o tivessem suplicado, se lhos concedesse, para que partissem com boa esperança, deu

ao rapaz uma porção da Eucaristia, e mandou que a colocasse em algum líquido e a fizesse cair

em gotas na boca do ancião.

5. O rapaz regressou com ela e, quando se aproximava, antes que entrasse, novamente Serapion

voltou a si e disse: 'Já chegaste, filho? O presbítero não pôde vir, mas tu faze rápido o que te foi

ordenado e deixa-me partir'. O rapaz pôs em um líquido (a porção da Eucaristia), e no momento

em que a vertia na boca do ancião, este tomou um pouquinho e imediatamente entregou seu

espírito.

6. Agora bem, não está claro que foi preservado e se manteve até que fosse absolvido e, apagado

seu pecado, pudesse ser reconhecido pelas muitas obras boas que havia feito? Isto diz Dionísio.

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