Nessa época, Justina, esposa de Valentiniano, o Grande, e mãe do jovem príncipe, revelou ao filho as sementes do ensinamento ariano que havia recebido há muito tempo. Conhecendo bem o fervor da fé de seu consorte, ela se esforçara para ocultar seus sentimentos durante toda a vida dele, mas, percebendo que o caráter do filho era gentil e dócil, tomou coragem para apresentar sua doutrina enganosa. O rapaz supôs que os conselhos da mãe eram sábios e benéficos, pois a natureza dispôs a isca de tal forma que ele não conseguia ver o anzol mortal por baixo. Ele primeiro conversou sobre o assunto com Ambrósio, sob a impressão de que, se conseguisse persuadir o bispo, seria capaz de prevalecer sem dificuldade sobre os demais. Ambrósio, no entanto, esforçou-se para lembrá-lo da piedade de seu pai e o exortou a manter inviolável a herança que recebera. Ele explicou-lhe também como uma doutrina diferia da outra, como uma estava de acordo com o ensinamento do Senhor e com o ensinamento de seus apóstolos, enquanto a outra se opunha totalmente a isso e estava em guerra com o código das leis do espírito.
O jovem, como é próprio dos jovens, instigado ainda mais por uma mãe ela própria vítima de engano, não só não concordou com os argumentos apresentados, como perdeu a paciência e, num acesso de fúria, tentou cercar as entradas da igreja com companhias de legionários e atiradores. Quando, porém, soube que este ilustre campeão não se alarmava minimamente com as suas ações, pois Ambrósio os tratava a todos como fantasmas e duendes com que alguns homens tentam assustar os bebés, ficou extremamente zangado e ordenou-lhe publicamente que se retirasse da igreja. “Não o farei”, disse Ambrósio, “de bom grado. Não entregarei o curral aos lobos nem trairei o templo de Deus aos blasfemos. Se queres matar-me, crava-me a tua espada ou a tua lança aqui dentro. Acolherei tal morte.”