Livro 7 – Capítulo XVIII História Eclesiástica

Dos sinais da magnificência de nosso Salvador existentes em Paneas

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1. Mas já que fizemos menção a esta cidade, creio que não é justo passar por alto um relato digno

de memória inclusive para nossos descendentes. De fato, a hemorrágica, que pelos Evangelhos506

sabemos que encontrou a cura de seu mal por obra de nosso Salvador, diz-se que era originária

desta cidade e que nela se encontra sua casa, e que ainda subsistem monumentos admiráveis da

boa obra nela realizada pelo Salvador:

2. Efetivamente, sobre uma pedra alta, diante das portas de sua casa, alça-se uma estátua de mulher,

503 O edito de Galieno não reconhecia o cristianismo como "religio licita", podendo portanto ocorrer casos como o

de Marino.

504 Em Cesaréia da Palestina.

505 Na atual distribuição de capítulos este não tem título.

506 Mt 9:20 ss; Mc 5:25 ss; Lc 8:43 ss.

em bronze, com um joelho dobrado e com as mãos estendidas para a frente como uma suplicante;

e em frente a esta, outra do mesmo material, efígie de um homem em pé, belamente vestido com

um manto e estendendo sua mão para a mulher; a seus pés, sobre a mesma pedra, brota uma

estranha espécie de planta, que sobe até a orla do manto de bronze e que é um antídoto contra

todo tipo de enfermidades.

3. Dizem que esta estátua reproduzia a imagem de Jesus. Conservava-se até nossos dias, como

comprovamos nós mesmos de passagem por aquela cidade.

4. E não é estranho que tenham feito isto os pagãos de outro tempo que receberam algum benefício

de nosso Salvador, quando perguntamos por que se conservam pintadas em quadros as imagens

de seus apóstolos Paulo e Pedro, e inclusive do próprio Cristo, coisa natural, pois os antigos

tinham por costume honrá-los deste modo, simplesmente, como salvadores, segundo o uso pagão

vigente entre eles507.

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