Livro 7 – Capítulo XV História Eclesiástica

De como em Cesaréia morreu mártir Marino

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1. Por estes anos, apesar de que em todas as partes as igrejas tinham paz, em Cesaréia da Palestina

foi decapitado por ter dado testemunho de Cristo um tal Marino, que pertencia aos altos cargos

do exército e se distinguia por sua linhagem e suas riquezas. A causa foi a seguinte:

2. Entre os romanos há uma insígnia de honra: a vide502, e dizem que aqueles que a alcançam

convertem-se em centuriões. Havendo uma vaga liberada, o escalão designava Marino para esta

500 Galieno havia promulgado um edito geral, a resolução guardada por Eusébio apenas aplica ao Egito as

disposições daquele.

501 Não é o reconhecimento do cristianismo como "religio licita", mas reconhece o direito das igrejas locais de

possuírem bens próprios.

502 Era o bastão de mando do Centurião, chamado vitis; por metonímia o próprio grau de centurião recebeu este

nome.

promoção. Já estava a ponto de receber a honra quando se apresentou outro ante o tribunal

afirmando que, segundo as antigas leis, Marino não podia tomar parte nas dignidades romanas,

já que era cristão e não sacrificava aos imperadores503, e que o cargo correspondia a ele.

3. Ante isto, o juiz (que era Aqueo) sentiu-se turbado e começou a perguntar a Marino o que

pensava, mas quando viu que este insistia em confessar que era cristão, concedeu-lhe o prazo de

três horas para que refletisse.

4. Achando-se fora do tribunal, acercou-se dele Teotecno, bispo do lugar, e afastou-o para

conversar, e tomando-o pela mão conduziu-o à igreja; uma vez dentro, colocou-o ante o próprio

santuário e, levantando-lhe um pouco o manto, mostrou sua espada, que pendia, ao mesmo tempo

que apresentava e contrapunha a Escritura dos divinos Evangelhos, mandando que entre as duas

coisas escolhesse a que preferia. Mas ele, sem vacilar, estendeu a direita e tomou a divina Escritura.

"Mantém-te pois - disse-lhe Teotecno -, mantém-te aferrado a Deus e oxalá alcances, fortalecido

por Ele, o que escolheste. Vai em paz."

5. Saiu imediatamente dali. Um pregoeiro lançava já seu grito chamando-o de novo ante o tribunal.

De fato havia-se cumprido o prazo previamente fixado. Apresentou-se então ante o juiz, e

mostrando um entusiasmo ainda maior por sua fé, em seguida, tal como estava, foi conduzido ao

suplício e foi executado.

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