Livro 3 – Capítulo V História Eclesiástica

Sobre o último assédio dos judeus depois de Cristo

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1. Depois de Nero ter exercido o poder durante treze anos, e tendo os reinados de Galba e Oto

durado um ano e seis meses, Vespasiano, que havia se distinguido nas operações bélicas contra

os judeus, foi nomeado imperador na própria Judéia, após ser proclamado senhor absoluto pelo

exército ali acampado. Encaminhando-se então a Roma, pôs em mãos de seu filho Tito a guerra

contra os judeus.

2. Depois da ascensão de nosso Salvador, os judeus acrescentaram ao crime cometido contra ele a

invenção de inúmeras ameaças contra seus apóstolos: Estevão foi o primeiro que eliminaram,

apedrejando-o188; depois dele, Tiago, filho de Zebedeu e irmão de João, a quem decapitaram189; e

depois de todos, Tiago, o que depois da ascensão de nosso Salvador foi o primeiro designado para o

trono episcopal de Jerusalém e morreu da forma que já descrevemos. E os demais apóstolos

sofreram milhares de ameaças de morte e foram expulsos da terra da Judéia. Porém, com o

poder de Cristo, que havia-lhes dito: Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome 190,

dirigiram seus passos para todas as nações para ensinar a mensagem.

3. E não apenas eles. Também o povo da igreja de Jerusalém, por seguir um oráculo enviado por

revelação aos notáveis do lugar, receberam a ordem de mudar de cidade antes da guerra e habitar

certa cidade da Peréia chamada Pella. Tendo os que creram em Cristo emigrado até lá desde

Jerusalém, a partir deste momento, como se todos os homens santos tivessem abandonado por

completo a própria metrópole real dos judeus e toda a região da Judéia, a justiça divina alcançou

os judeus pelas iniqüidades que cometeram contra Cristo e seus apóstolos, e apagou dentre os

homens toda aquela geração de ímpios.

4. Quem pois quiser saber com exatidão os males que então caíram sobre a nação em todo lugar, e

como especialmente os habitantes da Judéia viram-se empurrados ao fundo das calamidades,

quantos milhares de jovens, de mulheres e de crianças morreram pela espada, pela fome, e

inúmeras outras formas de morte, e quantas e quais cidades da Judéia foram sitiadas, e também

quantos horrores e pior do que horrores atingiram os que se refugiaram na mesma Jerusalém,

por ser um metrópole muito fortificada, assim como a índole de toda a guerra, os

acontecimentos que nela se sucederam e como, finalmente, a abominação da desolação anunciada

pelos profetas se instalou no próprio templo de Deus, tão célebre antigamente, que sofreu todo

tipo de destruição e, por último, foi aniquilado pelo fogo: tudo isso encontrará na narrativa

escrita por Josefo.

5. Mas é necessário assinalar que este mesmo autor refere que o número dos que se concentraram

nos dias da festa da Páscoa, vindos de toda a Judéia para Jerusalém, como num cárcere, para

usar suas palavras, era de uns três milhões.

6. Era necessário pois, que nos dias em que causaram a paixão do Salvador e benfeitor de todos e

Cristo de Deus, nestes mesmos, encerrados como num cárcere, recebessem a ruína que os

alcançava da justiça de Deus.

7. Mas passando por alto o que lhes sobreveio e o que lhes foi feito pela espada e de outras

maneiras, acho necessário apresentar apenas as calamidades causadas pela fome, para que os

que leiam este escrito possam saber em parte como não tardou muito para que os alcançasse o

castigo divino por seu crime contra o Cristo de Deus.

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