Livro 3 – Capítulo III História Eclesiástica

Sobre as cartas dos apóstolos

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1. De Pedro reconhecemos uma única carta, a chamada I de Pedro. Os próprios presbíteros

antigos utilizaram-na como algo indiscutível em seus próprios escritos. Por outro lado, sobre a

chamada II carta, a tradição nos diz que não é testamentária175; ainda assim, por parecer

proveitosa a muitos, é tomada em consideração junto com as outras Escrituras.

2. Quanto aos Atos que levam seu nome e o Evangelho dito como seu, assim como a Pregação que

se diz ser sua e o chamado Apocalipse, sabemos que de modo algum foram transmitidos entre os

escritos católicos, pois nenhum autor eclesiástico, nem antigo nem moderno, utilizou testemunho

tirado deles.

3. À medida em que avance esta História farei propositadamente que, junto às sucessões, sejam

indicados os escritores eclesiásticos, segundo as épocas, que utilizaram os livros discutidos e

quais deles, e também o que dizem dos escritos testamentários e admitidos, e dos que não o são.

4. Pois bem, os escritos que levam o nome de Pedro, dos quais somente uma única carta

conhecemos como autêntica e admitida pelos presbíteros antigos, são os já referidos.

5. Por outro lado, é evidente e claro que as catorze cartas são de Paulo. Contudo, não é justo ignorar

que alguns rechaçaram a carta aos Hebreus, dizendo que a Igreja de Roma não a admite por crer

que não é de Paulo. O que foi dito sobre ela por aqueles que me precederam será exposto a seu

devido tempo. Naturalmente, também não aceitei entre os escritos indiscutidos os Atos que se

dizem ser dele.

6. Mas, como ocorre que o mesmo apóstolo, nas despedidas finais da carta aos Romanos,

menciona, junto com outros, a Hermas - de quem se diz que é o livro do Pastor-, deve-se saber

que alguns também rechaçam este livro e que por causa deles não se pode contá-lo entre os

admitidos; por outro lado, outros julgam-no muito necessário, especialmente para os que preci-

sam de uma introdução elementar. Por esta razão sabemos que foi lido publicamente nas igrejas

e comprovamos que alguns escritores dos mais antigos fizeram uso dele.

7. Baste o dito como exposição de quais são as divinas Escrituras não discutidas e quais são as que

nem todos admitem.

170 O autor provavelmente estava pensando nos habitantes, escrevendo "entre os quais" e não "onde".

171 1 Pe 1:1.

172 Rm 15:19.

173 Esta obra de Orígenes está perdida.

174 2 Tm 4:21.

175 Isto é, canônica.

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