1. "Não há pois entre nós milhares de livros em desacordo e em mútua contradição, mas há sim,
apenas vinte e dois livros que contêm a relação de todo o tempo e que com justiça são
considerados divinos.
2. Destes, cinco são de Moisés, e compreendem as leis e a tradição da criação do homem até a
morte de Moisés. Este período abarca quase três mil anos.
3. Desde a morte de Moisés até a de Artaxerxes, rei dos persas depois de Xerxes, os profetas
198 Luceius Albinus, procurador entre 62 e 64.
199 Não se sabe em que passagem da escritura poderia encontrar-se este oráculo.
200 Sl 2:8.
201 Rm 10:18.
202 Nasceu no primeiro ano de Calígula (37-38 d.C), entrou em contato com os romanos em 64. Em 66 comanda parte
das forças revolucionárias da Galiléia e cai prisioneiro dos romanos em 67. Desde sua libertação em 69 toma parte dos
acontecimentos ao lado dos romanos e vive em Roma o resto de seus dias.
203 Esta é a única referência que existe sobre esta estátua.
204 Conserva-se apenas a versão grega, perdeu-se a aramaica.
posteriores a Moisés escreveram os fatos de suas épocas em treze livros. Os outros quatro contêm
hinos em honra a Deus e regras de vida para os homens.
4. Desde Artaxerxes até nossos dias tudo foi escrito, mas nem tudo merece a mesma confiança que
o anterior, por não apresentar sucessão exata dos profetas.
5. Mas os fatos manifestam como nós nos sentimos próximos a nossas escrituras. Assim é que,
transcorrido já tanto tempo, ninguém se atreveu a acrescentar, nem tirar, nem mudar nada nelas,
antes, é natural a todos os judeus, já desde seu nascimento, crer que estes escritos são decretos
de Deus, e aferrar-se a eles e prazerosamente morrer por eles caso seja necessário."
6. Estas palavras do autor aqui apresentadas não deixarão de ser úteis. Há também outra obra
escrita por ele, não sem nobreza, Sobre a supremacia da razão, que alguns intitularam
Macabeus, porque contém as lutas dos hebreus valentemente sustentadas em defesa da piedade
para com Deus e referidas nos escritos assim chamados Dos Macabeus205.
7. E quase no final do livro XX de suas, Antigüidades, o mesmo autor acrescenta a declaração de que
tem o propósito de escrever em quatro livros, seguindo as crenças pátrias dos judeus, acerca de
Deus e de sua essência, e sobre as leis; porque, segundo elas, algumas coisas podem ser feitas e
outras são proibidas. O mesmo autor, em seus próprios tratados, menciona outras obras por ele
produzidas.
8. Além disso, será bom mencionar também as palavras que estão no final de suas Antigüidades,
para confirmação dos testemunhos que dele tomei. Quando acusa Justo de Tiberíades - que tentara
fazer, assim como ele mesmo, uma história dos fatos daquele tempo - de não haver escrito a
verdade, depois de incluir outras muitas emendas, acrescenta textualmente o que segue:
9. "Na verdade eu não tenho os mesmos temores que tu tens no que se refere a meus escritos, pois
entreguei meus livros aos próprios imperadores estando os fatos ainda quase ante os olhos, porque
tinha consciência de ter conservado a tradição da verdade, e não me enganei ao esperar obter seu
testemunho.
10. Também enviei minha narrativa a muitos outros, alguns dos quais tinham estado na guerra,
como o rei Agripa e alguns parentes seus.
11. E ocorre que o imperador Tito quis que o público fosse informado dos fatos somente através
destes livros, tanto é assim que ele assinou a ordem de publicá-los de próprio punho. E o rei
Agripa escreveu sessenta e duas cartas atestando que os livros transmitem a verdade."
Destas cartas Josefo inclusive cita duas. Mas baste o que já dissemos sobre ele, e prossigamos.