1. O mago Simão foi sucedido por Menandro, o qual, pela sua maneira de agir, mostrou ser uma
segunda arma do poder diabólico não inferior à primeira. Também ele era samaritano, e em seu
progresso até o ápice da feitiçaria não foi inferior a seu mestre, mas até abundou em milagres
ainda maiores. Chamava-se a si mesmo, como se realmente o fosse, o salvador enviado de
algum lugar do alto, desde éons insondáveis, para salvação dos homens.
2. E ensinava que ninguém poderia de forma alguma exceder inclusive aos próprios anjos que
fizeram o mundo se primeiramente não fosse conduzido através da experiência mágica
transmitida por ele e através do batismo por ele dispensado. Os que são considerados dignos
deste participarão já nesta vida da imortalidade perdurável e não morrerão jamais. Mas
permanecerão aqui para sempre, não envelhecerão e serão imortais. Este ponto é fácil de
reconhecer pelos escritos de Irineu.
3. Também Justino, ao mencionar Simão pela mesma razão, acrescenta uma relação sobre este
outro, dizendo:
"Sabemos também que um certo Menandro, também samaritano, oriundo da aldeia chamada
Caparatea, depois de ser discípulo de Simão e estando também possuído por demônios,
apareceu em Antioquia, e com sua arte mágica seduziu a muitos. E convenceu seus seguidores de
que não morreriam. Hoje restam alguns de sua seita que continuam a professá-lo."
4. Era sem dúvida obra da influência diabólica lançar mão de tais feiticeiros revestidos do nome de
cristãos para esforçar-se em caluniar o grande mistério de piedade, acusando de magia, e destruir
por meio deles os dogmas da Igreja sobre a imortalidade da alma e a ressurreição dos mortos.
Mas aqueles que os reconhecem como salvadores chegaram abaixo da verdadeira esperança.