Livro 3 – Capítulo XXVIII História Eclesiástica

Do heresiarca Cerinto

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1. Sabemos que pelas datas mencionadas Cerinto fez-se cabeça de outra heresia. Caio, a quem já

citamos antes229, escreve sobre ele o que segue, na disputa que lhe é atribuída:

2. "No entanto, também Cerinto, por meio de revelações que diz serem escritas por um grande

apóstolo, apresenta milagres com a mentira de que lhe teriam sido mostradas por ministério dos

anjos, e diz que depois da ressurreição o reino de Cristo será terrestre e que novamente a carne,

que habitará em Jerusalém, será escrava de paixões e prazeres. Como inimigo das Escrituras de

Deus e querendo fazer errar, diz que haverá um número de mil anos de festa nupcial."

3. E também Dionísio, que em nosso tempo obteve o episcopado da igreja de Alexandria, ao dizer

no livro II de suas Promessas algumas coisas sobre o Apocalipse de João como recebidas de

uma antiga tradição, menciona o mesmo Cerinto com estas palavras:

4. "E Cerinto, o mesmo que instituiu a heresia que toma seu nome, a cerintiana, que quis creditar sua

228 Do hebraico ebionim, significando pobres.

229 Vide II:XXV:6.

própria invenção com um nome digno de fé. Este é efetivamente o tema da doutrina que ensina:

que o reino de Cristo será terreno.

5. E como ele era um amante de seu corpo e inteiramente carnal, sonhava que consistiria do mesmo

que ele desejava: fartura do ventre e do que está abaixo do ventre, ou seja: de comidas, de bebidas,

de uniões carnais e de tudo aquilo com que lhe parecia que se procurariam estas coisas de uma

forma mais bem sonante: festas, sacrifícios e imolação de vítimas sagradas."

6. Isto diz Dionísio. E Irineu, depois de expor, no livro I de sua obra Contra as heresias, alguns dos

erros mais abomináveis do mesmo Cerinto, transmitiu-nos por escrito, no livro III, um relato que

não se deve esquecer, procedente, segundo diz, da tradição de Policarpo. Afirma que o apóstolo

João entrou certa vez nos banhos públicos para lavar-se, mas ao ficar sabendo que dentro

encontrava-se Cerinto, afastou-se rapidamente do lugar e correu para a porta, por não suportar

encontrar-se sob o mesmo teto que ele, e exortava os que o acompanhavam a fazerem o mesmo,

dizendo: "Fujamos, não aconteça que os próprios banhos venham abaixo por estar dentro

Cerinto, o inimigo da verdade."

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