1. Chegando aqui, é hora de recapitular os escritos do Novo Testamento já mencionados. Em
primeiro lugar temos que colocar a tétrade santa dos Evangelhos, aos quais segue-se o escrito
dos Atos dos Apóstolos.
2. Depois deste há que se colocar a lista das Cartas de Paulo. Depois deve-se dar por certa a
chamada Primeira de João, assim como a de Pedro. Depois destas, se está bem, pode-se colocar
o Apocalipse de João, sobre o qual exporemos oportunamente o que dele se pensa.
3. Estes são os ditos admitidos. Dos livros discutidos, por outro lado, mas que são conhecidos da
grande maioria, temos a Carta dita de Tiago, a de Judas e a segunda de Pedro, assim como as
que se diz serem segunda e terceira de João, sejam do próprio evangelista, seja de outro com o
mesmo nome.
4. Entre os espúrios sejam listados: o escrito dos Atos de Paulo, o chamado Pastor e o Apocalipse
de Pedro, e além destes, a que se diz Carta de Barnabé e a obra chamada Ensinamento dos
Apóstolos, e ainda, como já disse, talvez, o Apocalipse de João: alguns, como disse, rechaçam-no,
enquanto outros o contam entre os livros admitidos.
5. Alguns ainda catalogam entre estes inclusive o Evangelho dos hebreus, no qual são muito
contemplados os hebreus que aceitaram Cristo. Todos estes são livros discutidos.
6. Mas creio ser necessário que exista um catálogo destes também, distinguindo os escritos que,
segundo a tradição da Igreja, são verdadeiros, genuínos e admitidos, daqueles que diferentes
destes por não serem testamentários, mas discutidos, ainda assim são conhecidos pela grande
maioria dos autores eclesiásticos, de modo que possamos conhecer estes livros e os que com o
nome dos apóstolos foram divulgados pelos hereges, alegando que se tratem seja dos Evangelhos
de Pedro, de Tomás, de Matias ou mesmo de algum outro, ou ainda dos Atos de André, de João
e de outros apóstolos. Jamais um só dentre os escritores ortodoxos julgou digno mencionar estes
livros em seus escritos.
7. Mas ocorre que a própria índole do fraseado difere enormemente do estilo dos apóstolos, o
pensamento e a intenção do que neles está contido destoa ainda mais da verdadeira ortodoxia:
claramente demonstram ser invenções de hereges. Por isso não devem ser incluídos nem mesmo
entre os espúrios, mas devemos rechaçá-los como inteiramente absurdos e ímpios. Continuemos
agora nosso relato.