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Livro 3 Flávio Josefo

Capítulo 29 Flávio Josefo

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,
"OS ROMANOS TOMAM SEM DIFICULDADE A CIDADE DEJOPE, QUE
VESPASIANO MANDA DESTRUIR; UMA HORRÍVEL TEMPESTADE PROVOCA A
MORTE DE TODOS OS HABITANTES QUE HAVIAM FUGIDO EM NAVIOS.",
"274. No entanto, um grande número de judeus, tanto dos que se haviam
revoltado contra os romanos, como dos que haviam fugido para as cidades de
que se haviam apoderado, reconstruíram Jope, que Céstio havia destruído e,
não podendo encontrar com o que viver em terra, por causa da devastação dos
campos, construíram um grande número de pequenos navios, puseram-se ao
mar e percorrendo as costas da Fenícia, da Síria e mesmo do Egito, perturba-
ram com sua pirataria, todo o comércio daqueles mares. Vespasiano veio a
sabê-lo e mandou tropas de cavalaria para Jope, bem como de infantaria, e,
como aquela praça era mal defendida, nela entraram durante a noite, mui facil-
mente. Surpreendidos, os habitantes não tiveram coragem de resistir; fugiram
para seus navios e passaram a noite fora do alcance dos dardos e das flechas
dos inimigos.
Para bem compreendermos em que perigo eles se encontravam, devemos
considerar a situação de Jope. Essa cidade, embora situada à beira-mar, não
tem porto. A praia sobre a qual está construída é excessivamente pedregosa e
muito elevada. Seus dois lados, que são rochedos, naturalmente profundos,
estendem-se em forma decrescente, adentrando bem o mar. Assim, quando
sopra o vento do verão, as ondas atiradas sobre esses rochedos cobrem-nos
com sua espuma e fazem um ruído espantoso; não há lugar onde os barcos
possam correr maior perigo. Aí vemos ainda os sinais das cadeias de
Andrômeda; elas foram aparentemente gravadas, para se prestar fé à antiga
fábula.
275. Os que haviam fugido de jope estavam então naquela baía e apenas
o dia começou a raiar, o vento, a que chamam de verão negro, soprou com
tanta violência, que jamais se viu tempestade mais horrível. Uma parte dos
navios quebrou-se, chocando-se uns contra os outros, outros se espatifaram
contra os rochedos, outros querendo, à força de remos, alcançar o mar alto,
para evitar a praia, onde as pedras os esperavam e os romanos também
tornavam-na igualmente temível, acharam-se, num momento, elevados sobre
montanhas de água e precipitados em seguida aos abismos, que aquela
espantosa tempestade lhes abria. Assim, não restava àquele povo miserável, em
tal contingência, nenhuma esperança de salvação, porque, quer eles se
afastassem da terra, quer dela se aproximassem, não podiam evitar de perecer,
tanto pelo furor do mar, como pelas armas dos inimigos. O ar entrecortava-se
de gemidos dos que haviam ficado nos navios esfrangalhados; viam-se de todos
os lados, uns, afogarem-se, outros matarem-se de desespero, outros, atirados
pelas vagas contra os rochedos, onde eram mortos pelos romanos. Assim o mar
não somente estava coberto de naufrágios, mas também tinto de sangue;
contaram-se até quatro mil e duzentos corpos que ele atirou à praia.
276. Os romanos, assim, tornaram-se senhores de Jope, sem combater, e
destruíram-na completamente; aquela infeliz cidade foi por eles tomada duas
vezes, em pouco tempo. Vespasiano, para impedir que os piratas lá se
reunissem, mandou fortificar a parte mais alta, deixou uma guarnição de
soldados de infantaria e muita cavalaria, para fazerem incursões às regiões
vizinhas e incendiarem as aldeias e as vilas; o que logo fizeram.",