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Livro 3 Flávio Josefo

Capítulo 26 Flávio Josefo

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,
"JOSEFO, NÃO PODENDO DISSUADIR OS QUE ESTAVAM COM ELE DA
RESOLUÇÃO QUE TINHAM TOMADO DE SE MATAR, CONSEGUE INDUZI-LOS A
TIRAR A SORTE, PARA CADA QUAL SER MORTO POR COMPANHEIROS E NÃO
POR SI MESMO. SOMENTE ELE, COM UM OUTRO, RESTAM COM VIDA E
ENTREGAM-SE AOS ROMANOS. ELE É LEVADO A VESPASIANO. SENTIMENTOS
FAVORÁVEIS DE TITO PARA COM ELE.",
"269. Com estas e outras razões, Josefo tentou afastar seus amigos da
funesta resolução que eles haviam tomado, mas os encontrou surdos à sua voz,
porque seu desespero os havia levado a escolher a morte. Em vez de se acalma-
rem, irritaram-se ainda mais, vieram a ele de espada na mão, censurando-lhe a
fraqueza, e todos pareciam querer matá-lo. Em tão extremo perigo ele chamava
a um pelo nome; olhava para outro, como um general que sabe comandar e
cuja virtude infunde respeito nos que estão acostumados a obedecer, tomou um
outro pelo braço e assim desviava de vários modos os golpes dos que haviam
determinado sua morte, como um animal selvagem rodeado por vários
caçadores volta a cabeça para aquele que está prestes a feri-lo. Por fim, como,
apesar do furor que os incitava, não podiam deixar de respeitar um chefe, ao
qual dedicavam tanta estima, sentiram seus braços enfraquecer, as espadas
caíam-lhes das mãos e ao mesmo tempo, ao desferir os golpes, sentiam que seu
afeto por ele opunha-se à cólera, diminuindo-lhes cada vez mais a força e
tornando-a inútil.
Josefo, por seu lado, não perdeu a calma em tão grave perigo: confiando
na proteção de Deus, assim lhes falou: Pois que estais mesmo resolvidos a
morrer, lancemos a sorte para ver quem deverá ser morto, por primeiro, por
aquele que o seguirá; continuemos a fazer sempre do mesmo modo, a fim de
que nenhum de nós se mate por si mesmo, mas receba a morte das mãos de
um outro. Essa proposta foi por todos recebida com alegria, porque não
duvidavam de que ele também estaria no número dos mortos e que prefeririam
à vida, uma morte comum a todos eles.
270. Foi então lançada a sorte e o que era determinado apresentava o
pescoço ao que o devia matar. Isso continuou até que restavam somente Josefo
e um outro; o que aconteceu, talvez, por uma especial proteção de Deus ou por
casualidade.
Josefo, vendo que se lançasse a sorte, ela, ou lhe custaria a vida ou ele
teria que manchar suas mãos no sangue de um amigo, aconselhou-o a viver,
dando-lhe garantia de salvá-lo.
271. Assim, Josefo conseguiu escapar daquele tremendo perigo que
correra, quer do lado dos romanos, quer dos de sua própria nação, e entregou-
se a Nicanor. Este levou-o a Vespasiano e jamais interesse foi maior do que o
dos soldados romanos em se reunirem junto do chefe para vê-lo. No meio do
tumulto, notavam-se os vários sentimentos, pelas diversas maneiras de agir:
uns demonstravam alegria, por ter ele sido aprisionado; outros, ameaçavam-no;
outros apertavam-se ainda mais para vê-lo de perto; os que estavam mais
afastados gritavam que se devia matar aquele inimigo do povo romano e os que
estavam mais perto dele, lembrando seus admiráveis feitos, comentavam as
vicissitudes da sorte. Mas todos os chefes, embora antes irritados contra ele,
sentiram seu ódio acalmar-se e Tito, mais que qualquer outro, pois tinha a
alma muito nobre, pela grandeza da coragem que Josefo demonstrava em sua
infelicidade e por sua idade, ainda em plena virili-dade, sentiu extrema
compaixão. Considerando, além disso, que um homem que se tinha tornado
temível em tantos combates, encontrava-se agora preso e escravo nas mãos dos
inimigos, não podia admirar muito as vicissitudes da guerra e a inconstância
das coisas humanas. Vários, imitando-o, foram favoráveis a Josefo e ele foi
principalmente causa de que Vespasiano também a isso se inclinasse.",