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Livro 3 Flávio Josefo

Capítulo 11 Flávio Josefo

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,
"VESPASIANO SITIA JOTAPATE, ONDE JOSEFO SE HAVIA REFUGIADO. DIVERSOS
ASSALTOS INÚTEIS.",
"248. Como Vespasiano sabia que Jotapate era a praça mais forte da
Galiléia e que um grande numero de judeus ali se havia refugiado, resolveu
atacá-la e destruí-la; mas lá não se podia ir senão pelas montanhas porque as
estradas eram muito difíceis, ásperas e pedregosas; quase impraticáveis para a
cavalaria e muito difíceis para a infantaria. Ele mandou então um corpo de
tropas, com um grande número de exploradores e operários, que em quatro
dias puseram-na em condições de permitir que todo o exército por ali pudesse
passar sem dificuldade.
No quinto dia, era 20 de maio, Josefo foi de Tiberíades a Jotapate e
ergueu o ânimo dos judeus com sua presença. Um fugitivo avisou Vespasiano e
exortou-o a se apressar para atacar a praça, porque se vencesse e aprisionasse
Josefo, teria aprisionado toda a Judéia. Vespasiano ficou tão contente com essa
notícia que a atribuiu a uma bondade particular dos deuses, que o mais
prudente de seus inimigos se tivesse assim retirado a uma praça, e ordenou no
mesmo instante que Plácido com mil cavaleiros e Ebúcio, um dos mais sábios e
dos mais valorosos dos seus oficiais, atacassem a cidade de todos os lados, a
fim de que Josefo não pudesse escapar.
Seguiu-os no dia seguinte, com todo seu exército, e tendo marchado até à
noite, chegou a Jotapate, acampou a sete estádios da cidade do lado do norte,
sobre uma colina, a fim de alarmar os sitiados, com a presença de seu exército.
Teve bom resultado o seu alvitre, pois eles ficaram tão atônitos que se
refugiaram na cidade e ninguém se atreveu a sair de lá. Os romanos, cansados
por terem feito aquela caminhada em tão pouco tempo, não atacaram naquele
dia; mas Vespasiano, para cercar os judeus de todos os lados, empregou dois
corpos de cavalaria e um de infantaria, que estavam um pouco mais recuados.
Como na guerra a necessidade obriga a tudo empreender, no desespero de não
se poder salvar, a que se viram reduzidos os judeus, sentiram redobrar-se-lhes
a coragem.
No dia seguinte, começou a batalha. Os judeus se contentaram em resistir
aos romanos, que tinham avançado suas posições até perto das muralhas.
Vespasiano ordenou em seguida a todos os archeiros, fundibulários e outros
atiradores de dardos, que atirassem, e ele mesmo, com a infantaria, atacou do
lado de uma colina, de onde se podia assaltar a cidade. Mas Josefo e os seus
resistiram tão corajosamente e praticaram tais atos de bravura, que repeliram
para bem longe os romanos e as perdas foram iguais de lado a lado. O
desespero animava os judeus, e a vergonha de encontrar tanta resistência
irritava os romanos; a ciência da guerra unida à coragem combatia de um lado;
a audácia e a coragem armadas pelo furor, do outro. Todo o dia passou-se
desse modo; a noite separou-os. Treze romanos somente morreram, mas muitos
ficaram feridos. Os judeus perderam dezessete homens e tiveram seiscentos
feridos.
Os romanos, no dia seguinte, deram novo ataque. De lado a lado houve
atos de valor ainda maiores que os anteriores, pela coragem que animava os
judeus, pois tinham, contra sua esperança, resistido ao primeiro assalto, e
porque a vergonha que os romanos sentiam, por ter sido repelidos, fazia com
que eles se considerassem vencidos, se ainda demorassem para obter a vitória.
Cinco dias passaram-se desse modo, em semelhantes assaltos, os
sitiantes, redobrando seus esforços e os sitiados, não somente resistindo, mas
fazendo também incursões sem que tão grandes forças, como as dos romanos,
os assustassem, nem igualmente as grandes dificuldades que encontravam
naquele assédio diminuíssem o ardor dos romanos.",