Livro 1 - Capítulo 23 - História Eclesiástica do Povo Inglês - Beda

Capítulo 23

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No ano 582 da encarnação do Senhor, Maurício, recebendo o império de Augusto 53, governou-o por 20 anos e 1 mês. No 10º ano de seu reinado, Gregório, um homem preeminente em conhecimento e ação, foi-lhe atribuído o pontificado da Sé Romana e Apostólica, e governou por 13 anos, 6 meses e 10 dias. Quem, sendo admoestado por inspiração divina no 14º ano do mesmo príncipe, tendo chegado à Britânia por volta do ano 150, enviou o servo de Deus Agostinho e vários outros monges com ele que temiam ao Senhor para pregar a palavra de Deus à nação inglesa. Os que, tendo obedecido às ordens pontifícias, haviam começado a empreender a obra mencionada e já tinham percorrido parte da jornada, tomados por um temor inerte, julgaram melhor retornar para casa do que se aproximar de uma nação bárbara, selvagem e incrédula, cuja língua sequer conheciam, e decidiram, em comum acordo, que isso seria mais seguro. Sem demora, enviaram para casa Agostinho, a quem haviam combinado de ordenar bispo caso fossem recebidos pelos ingleses, o qual, por meio da humilde súplica do bem-aventurado Gregório, obteve que não precisassem empreender uma peregrinação tão perigosa, árdua e incerta. Ele lhes enviou cartas de exortação, instando-os a partir para a obra da palavra, confiando na ajuda divina. O teor dessas cartas é o seguinte:

Gregório, servo dos servos de Deus, servos de nosso Senhor.

Porque seria melhor não começar boas obras do que retroceder no que foi iniciado em pensamento, convém, meus amados filhos, que completeis com a máxima diligência a boa obra que iniciastes com a ajuda do Senhor. Que o cansaço da jornada, portanto, e as línguas dos que vos injuriaram não vos detenham; mas com toda a diligência e com todo o fervor, completai o que começastes, sob a autoridade de Deus; sabendo que grande trabalho é seguido por maior glória da recompensa eterna. Mas, ao deixardes Agostinho, vosso superior, a quem também designamos como vosso abade, obedecei-lhe humildemente em tudo; sabendo que tudo o que realizardes sob sua admoestação será proveitoso para vossas almas em todas as coisas. Que o Deus Todo-Poderoso vos proteja com a Sua graça e me conceda ver o fruto do vosso trabalho na minha pátria eterna; para que, mesmo que eu não possa trabalhar convosco, eu possa estar junto na alegria da retribuição, porque quero trabalhar. Que Deus vos guarde em segurança, meus amados filhos.

Dado no décimo dia das Calendas de Augusto, no reinado de nosso senhor Maurício Tibério, o piedosíssimo Augusto, no décimo quarto ano após o consulado de nosso mesmo senhor, no décimo terceiro ano, pela décima quarta indicação.

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