Juliano não suportou a vergonha que lhe foi infligida por esses atos e, no dia seguinte, ordenou a prisão dos líderes da procissão coral. Salústio era prefeito na época e um servo da iniquidade, mas, mesmo assim, estava ansioso para persuadir o soberano a não permitir que os cristãos, ávidos por glória, alcançassem o objeto de seus desejos. Quando, porém, viu que o imperador era impotente para conter sua fúria, prendeu um jovem adornado com as graças de um santo entusiasmo enquanto caminhava pelo Fórum, pendurou-o diante do mundo no tronco, lacerou-lhe as costas com açoites e marcou-lhe os flancos com instrumentos de tortura em forma de garras. E assim fez o dia todo, do amanhecer ao anoitecer; depois, acorrentou-o e ordenou que fosse mantido sob custódia. Na manhã seguinte, informou Juliano do ocorrido, relatando a constância do jovem e acrescentando que o evento representava uma derrota para eles e um triunfo para os cristãos. Convencido da veracidade disso, o inimigo de Deus não tolerou mais ser tratado dessa forma e ordenou que Teodoro fosse libertado da prisão, pois assim era chamado este jovem e glorioso combatente na batalha da verdade. Ao ser questionado se sentira alguma dor ao sofrer aquelas torturas mais amargas e selvagens, respondeu que a princípio sentira um pouco de dor, mas que então lhe aparecera alguém que continuamente enxugava o suor de seu rosto com um lenço fresco e macio e o encorajava a ter coragem. “Portanto”, disse ele, “quando os executores me entregaram, não fiquei contente, mas irritado, pois agora se foi com eles aquele que me trazia alívio para a alma”. Mas o demônio da adivinhação mentirosa imediatamente aumentou a glória do mártir e expôs sua própria falsidade; pois um raio enviado do céu incendiou todo o santuário e transformou a própria estátua da Pítia em pó fino, pois era feita de madeira e dourada na superfície. Juliano, tio de Juliano, prefeito do Oriente, soube disso durante a noite e, cavalgando a toda velocidade, chegou a Dafne, ansioso por socorrer a divindade que adorava; mas, ao ver o suposto deus reduzido a pó, açoitou os oficiais responsáveis pelo templo, pois supôs que o incêndio fora causado por algum cristão. Mas eles, maltratados como estavam, não suportaram proferir uma mentira e insistiram em dizer que o fogo começara não de baixo, mas de cima. Além disso, alguns camponeses vizinhos se apresentaram e afirmaram ter visto o raio cair do céu.