Livro 3 História Eclesiástica — Teodoreto de Ciro

Capítulo 22: Das cabeças descobertas no palácio de Antioquia e das comemorações públicas ali realizadas

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Diz -se que em Antioquia foram descobertos diversos baús no palácio repletos de cabeças humanas, e também muitos poços cheios de cadáveres. Tal é o ensinamento das divindades malignas.

Quando Antioquia soube da morte de Juliano, entregou-se à alegria e à festividade; e não só a alegria exultante se manifestou nas igrejas e nos santuários dos mártires, mas também nos teatros, onde se proclamou a vitória da cruz e ridicularizou-se a profecia de Juliano. E aqui registro a admirável declaração dos homens de Antioquia, para que seja preservada na memória das gerações futuras, pois em uníssono se ergueu o grito: “Máximo, seu tolo, onde estão os teus oráculos? Porque Deus venceu, e o seu Cristo!”. Isso foi dito porque vivia naquela época um homem chamado Máximo, um pretenso filósofo, mas na verdade um praticante de magia, que se vangloriava de poder predizer o futuro. Mas os antioquenos, que haviam recebido seus ensinamentos divinos dos gloriosos companheiros Pedro e Paulo, e que nutriam grande afeição pelo Mestre e Salvador de todos, persistiram em execrar Juliano até o fim. Os seus sentimentos eram perfeitamente conhecidos pelo objeto dos mesmos, e por isso ele escreveu um livro contra eles e chamou-lhe “Misopogon”.

Esta celebração da morte do tirano encerrará este livro da minha história, pois seria, a meu ver, indecente associar a soberania ímpia de Juliano a um reinado justo.

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