A insensatez de Juliano ficou ainda mais evidente com sua morte. Ele cruzou o rio que separa o Império Romano do Império Persa, trouxe seu exército e, em seguida, queimou seus barcos, fazendo com que seus homens lutassem não por vontade própria, mas por obediência forçada. Os melhores generais costumam encher suas tropas de entusiasmo e, se as veem desanimadas, animá-las e renovar suas esperanças; mas Juliano, ao queimar a ponte de retirada, eliminou toda boa esperança. Uma prova adicional de sua incompetência foi sua falha em cumprir o dever de buscar suprimentos em todas as direções e prover suas tropas com mantimentos. Juliano não ordenou que suprimentos fossem trazidos de Roma, nem fez qualquer provisão generosa devastando o território inimigo. Ele deixou para trás o mundo habitado e persistiu em marchar pelo deserto. Seus soldados não tinham o suficiente para comer e beber; estavam sem guias; marchavam perdidos em uma terra deserta. Assim, eles viram a insensatez de seu imperador mais sábio. Em meio à murmuração e à reclamação, encontraram subitamente aquele que lutara em fúria insana contra seu Criador, ferido mortalmente. Ares, que levanta o estrondo da guerra, jamais viera em seu auxílio, como prometera; Loxias fizera adivinhações enganosas; aquele que o alegra com os raios não lançara nenhum raio sobre o homem que desferira o golpe fatal; a arrogância de suas ameaças foi reduzida a pó. O nome do homem que desferiu aquele golpe justo permanece desconhecido até hoje. Alguns dizem que foi ferido por um ser invisível, outros por um dos nômades chamados ismaelitas; outros ainda por um soldado que não suportou a fome no deserto. Mas, fosse homem ou anjo quem empunhasse a espada, sem dúvida o autor do feito era o ministro da vontade de Deus. Conta-se que, ao receber o ferimento, Juliano encheu a mão de sangue, lançou-a ao ar e exclamou: "Tu venceste, ó galileu!" Assim, ele proferiu ao mesmo tempo uma confissão da vitória e uma blasfêmia. Tão enlouquecido estava ele.