Nesse momento, Atanásio, aquele atleta vitorioso da verdade, enfrentou outro perigo, pois os demônios não suportavam o poder de sua língua e orações, e assim armaram seus ministros para injuriar-lhe. Muitas vozes suplicaram ao campeão da maldade que exilasse Atanásio, acrescentando ainda que, se Atanásio permanecesse, nenhum pagão permaneceria, pois ele os conquistaria a todos. Comovido por essas súplicas, Juliano condenou Atanásio não apenas ao exílio, mas à morte. Seu povo estremeceu, mas conta-se que ele previu a rápida dissipação da tempestade, pois disse: "É uma nuvem que logo desaparece". Contudo, ele se retirou assim que soube da chegada dos portadores da mensagem imperial e, encontrando um barco na margem do rio, partiu para a Tebaida. O oficial que havia sido designado para sua execução soube de sua fuga e se esforçou para persegui-lo a toda velocidade; Um de seus amigos, porém, adiantou-se e lhe disse que o oficial estava vindo rapidamente. Então, alguns de seus companheiros imploraram que ele se refugiasse no deserto, mas ele ordenou ao timoneiro que virasse a proa do barco em direção a Alexandria. Assim, remaram ao encontro do perseguidor, e chegou o portador da sentença de execução, que perguntou: “Quão longe está Atanásio?” “Não muito longe”, respondeu Atanásio, e assim se livrou de seu inimigo, enquanto ele próprio retornou a Alexandria e lá permaneceu escondido pelo restante do reinado de Juliano.