1. Efetivamente, poder-se-ia relatar que foram inumeráveis os que mostraram um zelo admirável
pela religião do Deus do universo, não somente desde o momento em que estourou a perseguição
contra todos, mas muito antes, quanto ainda se mantinha a paz.
2. Porque foi muito recentemente quando o que havia recebido o poder573, como quem se levanta
de um sono profundo, empreendeu-a contra as igrejas, ainda ocultamente e não às claras, no
tempo que sucedeu a Décio e Valeriano. E não atacou de um golpe com uma guerra contra nós,
mas ainda provou-a somente com os que estavam nas legiões, pois deste modo pensava que
capturaria mais facilmente também os demais se primeiro saísse vitorioso na luta contra aqueles.
Era de se ver então o grande número de soldados abraçando contentíssimos a vida civil e
evitando assim converter-se em negadores de sua religião para com o Criador de todas as coisas.
3. Efetivamente, assim que o general do exército - quem quer que então fosse - empreendeu a
perseguição contra as tropas e se deu a classificar e depurar os funcionários militares, como lhes
desse a escolha entre seguir gozando a graduação que lhes correspondia, se o obedeciam, ou
ver-se, pelo contrário, privados da mesma se se opunham às suas ordens, muitíssimos soldados do
reino de Cristo, sem vacilar, preferiram a confissão de Cristo à glória aparente e ao bem-estar que
possuíam.
4. Nesse momento era raro que um ou dois destes recebessem não somente a perda da graduação,
mas também a morte em troca de sua piedosa resistência, pois então o urdidor da conspiração ainda
guardava certa moderação e ousava aventurar-se somente a um ou outro derramamento de sangue,
já que ainda o assustava, segundo parece, a multidão dos fiéis e ainda vacilava em desatar uma
guerra contra todos de uma só vez.
5. Mas quando se lançou ao ataque mais abertamente, impossível expressar com palavras o número
e a qualidade dos mártires de Deus que aqueles que habitavam as cidades e os campos podiam
contemplar.