Livro 8 – Capítulo III História Eclesiástica

Do modo de conduzir-se dos que combateram na perseguição

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1. Então, pois, precisamente então572, numerosos dirigentes das igrejas, lutando animosamente em

meio a terríveis tormentos, ofereceram quadros de grandes combates, mas foram milhares os

outros, os que de antemão embotaram suas almas com a covardia, e assim facilmente se

debilitaram desde a primeira acometida. Dos restantes, cada um foi alternando diferentes espécies

de tormentos: um tendo seu corpo lacerado por açoites; outro castigado com as torturas

insuportáveis do potro e dos garfos, nas quais alguns já perderam suas vidas.

2. E outros, por sua vez, passaram pelo combate de formas muito diversas. A um efetivamente, os

566 Lm 2:1-2.

567 Sl 88 (89):40-46. Nos sete primeiros livros este salmo sempre prediz a destruição de Jerusalém, o juízo sobre os

judeus; neste é aplicado à perseguição, juízo divino sobre os cristãos.

568 Sl 106(107):40.

569 Do ano de 303. A perseguição começou em 23 de fevereiro, mas o edito só foi exposto ao público no dia

seguinte. Eusébio atém-se à Palestina, onde a perseguição chega em finais de março.

570 Perda inclusive do direito de cidadania.

571 Eusébio começa a descrever a perseguição sem dar-nos alguma razão para esta mudança na política de

Diocleciano, antes tão favorável.

572 Entre 7 de junho e 17 de novembro de 303, depois da promulgação do terceiro edito.

demais empurravam pela força, e aproximando-se dos infames e impuros sacrifícios, deixavam-

no ir como se tivesse sacrificado, ainda que não o tivesse feito. Outro, ainda que de modo algum

tivesse se aproximado nem tivesse tocado nada maldito, como os demais diziam que havia

tocado, retirava-se em silêncio carregado com a calúnia; outro levantavam meio morto e o

lançavam como se já fosse um cadáver;

3. e ainda houve quem, deitado ao solo, era arrastado longo trecho pelos pés e era contado entre os

que haviam sacrificado. Um gritava, e a altas vozes atestava sua negativa em sacrificar, e outro

vociferava que era cristão e se gloriava de confessar o nome salvador; outro sustentava firme que

ele nem havia sacrificado nem sacrificaria jamais.

4. Mesmo assim, também estes foram lançados fora à força sob repetidos golpes na boca por parte do

nutrido grupo de soldados que para este fim estava ali formado, e com bofetadas no rosto e nas

faces foram reduzidos ao silêncio. Tão grande era o afã que os inimigos da religião tinham de

aparentar, por todos os meios, que haviam conseguido seu intento. Mas nem tais métodos serviam

contra os santos mártires. Que discurso seria suficiente para uma descrição exata dos mesmos?

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