Livro 4 – Capítulo VIII História Eclesiástica

Quem foram os escritores eclesiásticos nos tempos de Adriano

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1. Entre estes destacava-se Hegesipo. Dele já utilizamos anteriormente numerosas citações, com o

fim de estabelecer, tomando de sua tradição, alguns fatos dos tempos dos apóstolos.

2. Efetivamente, em cinco livros comentou a tradição limpa de erro da pregação apostólica, com um

estilo muito simples. O tempo em que se deu a conhecer é indicado por ele mesmo ao escrever

assim dos que desde o princípio instalaram os ídolos:

"Erigiam-lhes cenotáfios e templos, como até hoje. Deles é também Antino, escravo do imperador

Adriano. Ainda que contemporâneo nosso, em sua honra celebram-se os jogos Antinoeus.

Adriano inclusive fundou uma cidade com o nome de Antinoo e criou profetas."

3. Também por este tempo, Justino, sincero amante da verdadeira filosofia, continuava ainda

ocupado em exercitar-se nas doutrinas dos gregos. Ele mesmo indica este tempo ao escrever sua

Apologia dirigida a Antonino: "Não creio que esteja fora de lugar mencionar aqui também

Antinoo, que viveu em nossos dias e a quem todos se sentiam constrangidos a prestar culto como

a um deus, por medo, apesar de saber quem era e de onde procedia."

4. E o mesmo Justino acrescenta o seguinte, ao mencionar a guerra de então contra os judeus:

"E, de fato, na guerra judia de agora, Barkokebas, o líder da rebelião dos judeus, mandava que

somente os cristãos fossem conduzidos a terríveis suplícios se não renegassem e blasfemassem

contra Jesus o Cristo."

5. Na mesma obra demonstra que sua conversão da filosofia grega à religião não se fez sem razão,

mas com juízo; escreve o seguinte:

"porque também eu mesmo, que me comprazia nos ensinamentos de Platão, ao ouvir as calúnias

contra os cristãos e vê-los irem intrépidos para a morte e para tudo que é terrível, comecei a pensar

que não era possível que aqueles homens vivessem na maldade e no amor aos prazeres. Pois, que

homem amante do prazer ou incontinente ou que pensa que comer carne humana é bom poderia

abraçar com alegria a morte se com ela se vê privado do objeto de seus desejos? Não tentaria por

todos os meios seguir vivendo sempre sua vida daqui e ocultar-se dos governantes, em vez de

delatar-se a si mesmo para ser morto?"

6. O mesmo escritor conta ainda que Adriano recebeu de Serenio Graniano, lúcido governador,

uma carta em favor dos cristãos, dizendo que não era justo, sem ter havido acusação nenhuma,

condená-los à morte sem julgamento, apenas para dar o gosto aos gritos do povo, e que havia

respondido a Minucio Fundano, procônsul da Ásia, ordenando-lhe que ninguém julgasse sem

denúncia e sem acusação razoável.

7. Desta carta Justino oferece uma cópia, conservando a língua latina, tal como estava, e antepondo o

seguinte:

"Poderíamos também, pelo conteúdo de uma carta do máximo e ilustríssimo imperador

Adriano, vosso pai, exigir que mandeis celebrar os julgamentos segundo nossa demanda. Mas

isto não pedimos por ter sido ordenado por Adriano, mas por estarmos convencidos de que

nossa reclamação é justa. No entanto, também colocamos atrás a cópia da carta de Adriano,

para que saibas que também nisto dizemos a verdade. E a que segue."

8. E em continuação ao dito, o mencionado autor põe a própria cópia latina, que nós, no entanto,

traduzimos ao grego, como pudemos, e diz assim:

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