1. "O imperador César Marco Aurélio Antonino Augusto Armênio, pontífice máximo, tribuno da
plebe pela décima quinta vez, cônsul por três vezes, ao concilio da Ásia, saudações275;
2. Eu sei que também os deuses se ocupam de que estes não permaneçam ocultos. Efetivamente,
eles castigariam muito mais do que vós aos que não queiram adorá-los.
3. "A estes estais empurrando para a agitação, uma vez que os confirmais na doutrina que
professam acusando-os de ateus. Para eles seria preferível, assim acusados, parecer que morreram
por seu próprio Deus a seguir vivendo. Por isso inclusive estão vencendo, porque entregam suas
próprias vidas em vez de obedecer ao que vós pretendeis que façam.
4. Quanto aos terremotos passados e atuais, não será demais recordar-vos que vos sentis
acovardados quando chegam, e comparais nossa situação à sua.
5. Eles, efetivamente, têm muito maior confiança em Deus, enquanto que vós, em todo o tempo
pareceis estar em completa ignorância, descuidais dos outros deuses e do culto ao imortal. Os
cristãos o adoram, e vós os maltratais e perseguis até a morte.
6. Em favor destes já escreveram a nosso diviníssimo pai276 muitos governadores das províncias, aos
quais respondeu que em nada fossem aqueles molestados, a não ser que fosse evidente que
empreendiam algo contra o poder público de Roma. Também a mim muitos me falaram sobre
eles, e também respondi seguindo o parecer de meu pai.
7. Mas se alguém persistir em levar algum deles ao tribunal apenas por ser deles, fique o acusado
livre de encargos, ainda que seja evidente que é cristão; por outro lado, o acusador ficará sujeito
a castigo. "Publicado em Éfeso, no concilio da Ásia."
8. Que assim sucederam as coisas é atestado pelo bispo da igreja de Sardes, Meliton, célebre
naquela época, pelo que se percebe na Apologia que dirigiu ao imperador Vero em favor de nossa
doutrina.