1. A rebelião dos judeus tomava novamente maior força e maior extensão. Rufo, governador da
Judéia, com o reforço militar enviado pelo imperador e tirando partido sem piedade de sua louca
temeridade, marchou contra eles. Aniquilou em massa milhares de homens, de crianças e de
mulheres, e ao amparo da lei da guerra reduziu seus territórios à escravidão.
2. Mandava então sobre os judeus um chamado Barkokebas, que significa "estrela"270, um homem
homicida e bandido, mas que, por seu nome, como se tratasse com escravos, dizia que era luz
descida dos céus para eles, e com mágicas enganosas fazia ver aos maltratados que brilhava.
3. Mas a guerra chegou a seu ponto mais grave no décimo oitavo ano do reinado, em Betera, cidadela
fortíssima, a pouca distância de Jerusalém. Como demorava longo tempo o assédio que vinha do
exterior, os revolucionários viram-se empurrados à extrema ruína pela fome e pela sede, e o
causador de sua insensatez pagou a pena merecida. Por decisão e por mandato de uma lei de
Adriano proibiu-se a todo o povo judeu dali em diante pôr os pés sequer na região que rodeia
Jerusalém, de forma que nem de longe podiam contemplar o solo pátrio. Isto foi contado por
Ariston de Pela.
4. Assim foi que a cidade chegou a ficar vazia da raça judia, e foi total a ruína de seus antigos
268 Provavelmente vinda das Memórias de Hegesipo.
269 O décimo segundo ano de Adriano foi 128-129.
270 Mais propriamente "Filho de estrela".
moradores. Pessoas de outra raça vieram a habitá-la, e a cidade romana então constituída logo
trocou de nome e se chamou Elia, em honra ao imperador Adriano. Mas também a igreja dali veio
a ser composta de gentios, e o primeiro que se encarregou de seu ministério, depois dos bispos
que procediam da circuncisão, foi Marcos.