Livro 2 – Capítulo VI História Eclesiástica

Dos males que desabaram sobre os judeus depois de sua maldade contra Cristo

IIIIIIIVVVIVIIVIIIIXXXIXIIXIIIXIVXVXVIXVIIXVIIIXIXXXXXIXXIIXXIIIXXIVXXVXXVI
← Anterior Próximo →

1. Fílon segue narrando que, depois da morte de Tibério, Caio assumiu o poder e começou a cometer

muitas atrocidades contra muitos, mas sobretudo de forma a prejudicar tanto quanto possível a

toda a raça judia. Mas será melhor conhecer isto brevemente por suas próprias obras, nas quais

escreve textualmente:

2. "Extraordinariamente caprichoso era o caráter de Caio para com todos, mas muito especialmente

contra a raça judia, à qual tinha um ódio implacável. Nas cidades, começando por Alexandria,

apoderou-se das sinagogas e encheu-as de imagens e estátuas com sua própria figura (pois ele

que permitia a outros erguê-las, também as erigia por seu próprio poder), e na Cidade Santa o

templo, que até então saíra intacto por ser considerado digno de toda inviolabilidade, foi por ele

transformado em seu próprio templo, chamando-o: Templo de Caio, Novo Zeus Epifano."

3. O mesmo autor, num segundo livro que escreveu, intitulado Sobre as virtudes, narra outras

inumeráveis e indescritíveis calamidades ocorridas aos judeus em Alexandria nesta época. Com

ele concorda também Josefo, ao notar igualmente que os infortúnios que caíram sobre toda a

raça judia tiveram início nos tempos de Pilatos e dos crimes contra o Salvador.

4. Mas ouçamos o que este declara textualmente no livro II de sua Guerra dos

judeus quando diz:

"Enviado por Tibério à Judéia como procurador, Pilatos faz entrar durante a noite em Jerusalém,

encobertas, as efígies do César, as chamadas insígnias. Ao nascer o dia isto produziu enorme

comoção entre os judeus, que aproximando-se para ver, ficaram aterrorizados: suas leis tinham

sido pisoteadas, já que de forma alguma permitiam que na cidade se levantassem imagens."

5. Se comparamos tudo isto com a Escritura do Evangelho, veremos que não tardaram muito para

serem alcançados pelo grito que proferiram em presença do próprio Pilatos quando gritavam que

não tinham outro rei que não o César114.

6. Mas há ainda outra calamidade que alcançou os judeus e que o mesmo escritor narra em

continuação como segue:

"E depois disto causou outra agitação quando esvaziou o tesouro sagrado chamado Corbã,

gastando-o para trazer as águas desde uma distância de trezentos estádios. Ante isto o povo

enfureceu-se e, quando Pilatos se apresentou em Jerusalém, rodearam-no vociferando a uma só

voz.

7. Mas ele contava já com a agitação dos judeus e tinha ordenado que se misturassem entre eles

soldados armados, camuflados com trajes do povo, proibidos de usarem as espadas, mas com

ordem de golpear com bastões os que gritassem. De seu assento ele deu o sinal. Os judeus foram

feridos, muitos morreram sob os golpes e muitos foram esmagados pelos demais em fuga. A

plebe, impressionada pelo infortúnio dos caídos, emudeceu."

8. O mesmo autor faz saber ainda que além destas ocorreram em Jerusalém muitas outras revoltas,

afirmando que desde aquele tempo, nem na cidade nem em toda a Judéia faltaram sedições,

guerras e maldosas tramas de uns contra outros, até que finalmente chegou o assédio de

Vespasiano. Assim é que a justiça divina alcançava os judeus por seus crimes contra Cristo.

114 Jo 19:15. Mas parece que Josefo indica que isto ocorreu pouco depois da chegada de Pilatos, portanto antes da

paixão.

← Voltar ao índice