Livro 2 – Capítulo II História Eclesiástica

Da emoção de Tibério ao ser informado por Pilatos dos feitos referentes a Cristo

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1. A fama da assombrosa ressurreição de nosso Salvador e de sua ascensão aos céus já havia

alcançado a grande maioria. Havia sido imposto aos governadores das nações o antigo costume

de informar o ocupante do cargo imperial de todas a novidades ocorridas em suas regiões, para

que nada escapasse de seu conhecimento. Pilatos portanto informou ao Imperador Tibério sobre

tudo o que corria de boca em boca por toda a Palestina sobre a ressurreição de nosso Salvador

Jesus de entre os mortos.

2. Informou-o também de seus outros milagres e de que o povo já acreditava que ele era Deus,

porque depois de sua morte ressuscitou de entre os mortos. Diz-se que Tibério levou o assunto ao

senado, e que este o rechaçou, aparentemente porque não o havia aprovado previamente - pois

uma antiga lei prescrevia que, entre os romanos, ninguém poderia ser divinizado se não o fosse

100 At 8:3.

101 At 8:5-13.

102 At 8:13.

103 Não mais ao tempo de Eusébio, mas da fonte por ele consultada.

104 At 8:26-39.

105 Sl 67:32 (68:31).

106 At 9:15.

107 At 9:3-6; 22:6-9; 26:14-19.

por voto e por decreto do senado -, mas na realidade era porque a doutrina salvadora da

pregação divina não necessitava de ratificação nem de recomendação vinda dos homens.

3. Desta forma pois, o senado romano rechaçou o informe apresentado sobre nosso Salvador.

Tibério, por outro lado, conservou sua primeira opinião e não tramou nada de errado contra a

doutrina de Cristo.

4. Tertuliano, fiel conhecedor das leis romanas, homem insigne por outros méritos e ilustríssimo

em Roma, expõe todos estes fatos em sua Apologia pelos cristãos, que escreveu no próprio

idioma romano e que está traduzida em língua grega, expressando-se textualmente como segue:

5. "Mas, para que discutamos partindo da origem de tais leis, existia um antigo decreto de que

ninguém podia ser consagrado como deus antes de ser aprovado pelo senado. Marco Emílio

assim o fez a respeito de certo ídolo, Alburno. Também isto vai a favor de nossa doutrina: que

entre vós a divindade seja outorgada por arbítrio dos homens. Se um deus não agrada ao homem,

não chega a ser deus. Assim, quanto a isto, convém que o homem seja propício a Deus!

6. Tibério, pois, sob o qual apareceu no mundo o nome de cristão, quando lhe anunciaram esta

doutrina procedente da Palestina, onde primeiro começou, comunicou-o ao senado, explicando

aos senadores que dita doutrina o agradava. Mas o senado a rechaçou por não tê-la aprovado

previamente. Tibério, por outro lado, persistiu na sua declaração e ameaçou de morte aos

acusadores dos cristãos."

A providência celestial tinha disposto este ânimo ao imperador a fim de que a doutrina do

Evangelho tivesse um início livre de obstáculos e se propagasse por toda a terra.

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