1. A este Simão, pai e autor de tão grandes males, o poder malvado e odiento de todo bem, inimigo
da salvação dos homens, destacou-o naquele tempo como grande adversário dos grandes e
divinos apóstolos de nosso Salvador.
2. No entanto a graça divina e celestial veio em socorro de seus servidores, e somente com a
aparição e presença destes extinguiu rapidamente o fogo ateado pelo maligno, e por meio deles
humilhou e abateu toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus124.
3. Por isso nenhuma maquinação, nem de Simão nem de nenhum outro dos que então
proliferavam, prevaleceu naqueles tempos apostólicos: a luz da verdade e o próprio Verbo divino,
que recentemente tinha brilhado sobre os homens, florescendo sobre a terra e convivendo com seus
próprios apóstolos, triunfava sobre tudo e dominava tudo.
4. Em seguida o mencionado impostor125, como ferido nos olhos da mente por um ofuscamento
divino e extraordinário quando anteriormente o apóstolo Pedro pôs a descoberto suas malvadas
intenções na Judéia, empreendeu uma longa viagem para além do mar, e foi-se fugindo de oriente
a ocidente, convencido de que somente ali seria possível viver segundo suas idéias.
5. Chegou à cidade de Roma, e com a grande ajuda do poder que nela se assenta126, em pouco
tempo alcançou tamanho êxito em seu empreendimento, que os habitantes do lugar chegaram a
honrá-lo como a um Deus, dedicando-lhe uma estátua.
6. Não chegaria muito longe esta prosperidade. De fato, pisando em seus calcanhares, durante o
próprio império de Cláudio, a providência universal, santíssima e amantíssima dos homens,
levava sua mão em direção a Roma, como contra um tão grande flagelo da vida, o firme e grande
apóstolo Pedro, porta-voz de todos os outros devido a sua virtude. Como nobre capitão de Deus,
equipado com as armas divinas127, Pedro levava do oriente aos homens do ocidente a
apreciadíssima mercadoria da luz espiritual, anunciando a boa nova da própria luz, da doutrina
que salva as almas: a proclamação do reino dos céus.