1. Assim foi que, por habitar entre eles a doutrina divina, o poder de Simão se extinguiu e foi reduzido
a nada, junto com ele mesmo. Em troca, o resplendor da religião brilhou de tal maneira sobre as
mentes dos ouvintes de Pedro, que não ficavam satisfeitos apenas ouvindo-o uma vez, nem com
o ensinamento não escrito da pregação divina, mas com todo tipo de pedidos importunavam
Marcos - de quem se diz que é o Evangelho e que era companheiro de Pedro - para que lhes
deixasse também um memorial escrito da doutrina que de viva voz lhes era transmitida, e não o
deixaram em paz até que o homem o tivesse terminado, e desta forma tornaram-se a causa do texto
chamado Evangelho de Marcos.
2. E dizem que o apóstolo, quando por revelação do Espírito soube o que tinha sido feito, alegrou-
se pela boa vontade daquela gente e aprovou o escrito para ser lido nas igrejas. Clemente cita o
fato no livro VI de suas Hypotyposeis128, e o bispo de Hierápolis chamado Papias apóia-o tam-
bém com seu testemunho. Marcos é mencionado por Pedro em sua primeira carta; dizem que
esta foi escrita em Roma mesmo, e que isto se dá a entender ao chamar a cidade,
metaforicamente, de Babilônia, com estas palavras: Saúda-vos aquela que está em Babilônia,
eleita convosco, e meu filho Marcos.
124 2 Co 10:5.
125 At 8:18-23.
126 i.é. o demônio. Sobre a estátua, vide nota 123.
127 Ef 6:14-17; 1Ts 5:8.
128 Clemente na verdade diz que Pedro "nem o impediu nem o estimulou".