Livro Decimo Sexto Flávio Josefo
Capítulo 3 Flávio Josefo
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"HERODES VAI PROCURAR AGRIPA NO PONTO COM UMA ESQUADRA, E COM
ELA REFORÇA O EXÉRCITO ROMANO. AO RETORNAR COM ELE, FAZ BENEFÍCIOS
A VÁRIAS CIDADES DURANTE O CAMINHO.",
"683. Quando chegou a primavera, Herodes soube que Agripa navegava
com a sua esquadra para o Bósforo, e embarcou para encontrar-se com ele em
Lesbos. Porém, depois de passar Rodes e Cós, um vento do norte impeliu-o para
a ilha de Quios, onde foi obrigado a permanecer alguns dias. Muitos vieram
cumprimentá-lo, e ele lhes deu magníficos presentes. Percebendo que os
mercados da cidade, que eram muito grandes e belos, haviam sido destruídos
durante a guerra de Mitridates e que os habitantes não tinham meios de os
reconstruir, forneceu-lhes dinheiro mais que o necessário para as despesas e
exortou-os a trabalhar prontamente para restituir à cidade a sua primitiva
beleza.
684. Quando o vento mudou, ele tornou a embarcar. Aportou em Mitilene
e depois em Bizâncio, onde soube que Agripa já passara os rochedos cianeanos.
Seguiu-o rapidamente e o alcançou em Sinope, que é uma cidade do Ponto.
Agripa ficou tão satisfeito quanto surpreso por vê-lo chegar com uma frota,
quando menos esperava. Recebeu-o com as demonstrações de reconhecimento
que merece tão grande prova de amizade, pois Herodes deixara o seu reino e os
interesses de Estado para trazer-lhe um considerável auxílio. Esse fortaleci-
mento de amizade uniu-os de tal modo que eles estavam sempre juntos, e
Agripa nada fazia sem a participação de Herodes. Chamava-o a todos os conse-
lhos, comunicava-lhe a execução de todas as suas empresas e, quando queria
dar-se a algum divertimento para aliviar o espírito, ele era o único a quem
convidava para lhe fazer companhia. E deu-lhe não somente provas de sua
amizade nas coisas agradáveis, mas também de sua confiança nas ocasiões
mais importantes e difíceis.
Depois que esse general romano concluiu no Ponto os negócios que
haviam sido o motivo de sua viagem, resolveu continuar a rota por terra.
Atravessou a Paflagônia, a Capadócia e a Alta Frígia para chegar a Éfeso e
depois tornou a embarcar para Samos. A magnificência e a generosidade de
Herodes brilharam nessa viagem, pelo bem que ele fez a todas as cidades que
sofriam por alguma necessidade. Ajudou-as não somente com o seu dinheiro,
mas também com a sua recomendação e favor junto de Agripa, perante o qual
ele tinha mais crédito que qualquer outro.
Herodes achava aí tanto mais facilidade quanto esse grande homem tinha
a alma nobre e elevada, estando sempre pronto a conceder o que lhe era pedido,
contanto que não se fizesse injustiça a ninguém. E assim, Agripa concedia
ainda mais do que Herodes podia desejar dele, tanto prazer sentia em servi-lo.
Ante pedido seu, perdoou os ilíricos, contra os quais estava muito irritado.
Herodes pagou ao tesoureiro do imperador o que os habitantes de Quios lhe
deviam e ajudou todas as outras cidades em tudo o que elas necessitavam.",