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Livro Decimo Sexto Flávio Josefo

Capítulo 12 Flávio Josefo

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,
"ARQUELAU, REI DA CAPADÓCIA, RECONDUZ O PRÍNCIPE ALEXANDRE, SEU GENRO, ÀS
BOAS GRAÇAS DE HERODES.",
"705. Quando Arqueiau, rei da Capadócia, soube que as coisas haviam
chegado a esse extremo, o afeto pela filha e pelo príncipe Alexandre, seu genro,
bem como a compaixão por ver Herodes, seu amigo, em tão deplorável estado,
levaram-no a procurá-lo. Ele viu com os próprios olhos que o que lhe haviam
relatado era verdade, mas julgou inconveniente censurar Herodes por haver
acreditado em tudo e se guiado pela paixão, para não o irritar ainda mais,
obrigando-o a se justificar. Como era muito sensato, tomou um caminho
contrário para lhe acalmar o espírito. Disse-lhe que também estava muito
irritado com o genro e aprovava o castigo que Herodes lhe aplicara. Afirmou
ainda que estava pronto, se ele quisesse, a romper o casamento, retomar a filha
e ainda castigá-la, se descobrisse que ela sabia da falta do marido e não tinha
avisado o rei.
Herodes ficou surpreso ao ver Arqueiau defendê-lo com tanto ardor,
mostrando-se ainda mais irritado com Alexandre do que ele. Sentiu então
amortecer o fogo de sua cólera e mostrou-se disposto a agir com plena justiça
nesse particular. Retomou pouco a pouco pelo filho os sentimentos de ternura
que a natureza depositou no coração dos pais. Antes não podia tolerar que
alguém desculpasse o jovem, mas quando viu que Arqueiau, longe de absolvê-
lo, ainda o acusava, ficou tão comovido que não pôde reter as lágrimas. Rogou-
lhe que não se deixasse levar pelo desgosto para com o genro e não rompesse o
casamento. Arqueiau, vendo-o mais calmo, começou a refutar as acusações
feitas contra Alexandre, dizendo que com certeza foram os amigos do rei que,
com o seu comportamento, lhe corromperam o espírito, tão desprovido de
malícia, principalmente Feroras.
Feroras, que já caíra no desagrado do rei de modo a não conseguir a
reconciliação, julgou, ao saber disso, que ninguém, a não ser Arqueiau, seria
capaz de reintegrá-lo às boas graças de Herodes. Então veio procurá-lo com
vestes de luto e todos os outros sinais de dor que pode apresentar um homem
que se crê à beira do abismo. Esse rei, tão prudente, julgou que podia
aproveitara ocasião. Disse-lhe que o que ele desejava não era fácil, e o melhor
conselho que lhe podia dar era que ele mesmo fosse procurar o rei seu irmão,
confessasse ter sido causa de todo o mal e lhe pedisse perdão. Depois disso, se
ele estivesse disposto a permitir que falassem em seu favor, tentaria prestar-lhe
o auxílio que estava pedindo.
Feroras seguiu o conselho e saiu-se tão bem que voltou às boas graças do
rei. Alexandre, superando todas as expectativas, foi justificado de todos os
crimes que lhe imputavam. Arqueiau, após restituir a paz a todos com o seu
excelente modo de agir, conquistou o coração de Herodes, que começou a
considerá-lo um de seus maiores amigos. Deu-lhe ricos presentes e, lembrando
que escrevera a Augusto relatando o seu descontentamento com os filhos,
julgou-se obrigado a lhe prestar contas do que se havia passado. Os dois reis
decidiram que Herodes deveria ir a Roma para informá-lo de tudo. Arqueiau
retornou em seguida para o seu reino. Herodes acompanhou-o até Antioquia e,
depois de conversar com Tito, governador da Síria, voltou à Judéia.",