Livro 7 Flávio Josefo
Capítulo 38 Flávio Josefo
,
"HORRÍVEL MALDADE DE CATULO, GOVERNADOR DA LÍBIA PENTAPOLITANA,
QUE PARA SE ENRIQUECER COM OS BENS DOS JUDEUS, ACUSA-OS
FALSAMENTE, E ENTRE OS OUTROS, TAMBÉM AFOSEFO, AUTOR DESTA
HISTÓRIA, DE TEREM LEVADO JÔNATAS, CHEFE DOS SICARIOS QUE TINHAM
SIDO PRESOS, AFAZER O QUE ELE TINHA FEITO. VESPASIANO DEPOIS DE SE TER
INFORMADO BEM NO ASSUNTO, MANDA QUEIMAR JÔNATAS VIVO.
TENDO SIDO DEMASIADO CLEMENTE COM CATULO, VÊ ESSE HOMEM
MORRER DE UMA MANEIRA ESPANTOSA.",
"543. jônatas, chefe dessa pobre gente, que se tinha deixado enganar por
ele, escapou; mas procuraram-no com tanto cuidado que ele foi aprisionado e
levado a Catulo. Para retardar o seu suplício ele propôs-lhe um meio fácil para
se enriquecer, servindo-se dele para acusar os mais ilustres dos judeus de
Cirene de tê-lo levado a fazer o que ele havia feito. Esse ambicioso governador
prestanteu facilmente ouvidos a tão grande calúnia e a fim de parecer de algum
modo ter terminado a guerra aos judeus, para cúmulo de maldade, incitou
aqueles celerados sicários a renovar as acusações para perderem àqueles
inocentes. Ordenou-lhes particularmente que acusassem a um judeu de nome
Alexandre, que todos sabiam que ele odiava há muito tempo e fê-lo morrer com
Berenice, sua esposa, que ele envolveu na mesma acusação. Mandou em
seguida matar também três mil outros judeus cujo único crime era serem ricos,
pensando que nada tinha a temer, porque contentava-se de lhes tomar o
dinheiro, confiscando suas terras para o império; para lhes tirar os meios de
acusá-lo, a todos os que moravam em outras províncias, bem como provar seus
crimes, ele se serviu do mesmo Jônatas e de alguns outros do seu partido,
prisioneiros com ele, para denunciar, como culpados, os homens de bem
daquela nação, que moravam em Alexandria e em Roma, no número dos quais
estava Josefo, autor desta história. Depois de ter combinado tão grande
maldade, não tendo dúvidas de conseguir o seu detestável desígnio, ele foi a
Roma, levou Jônatas acorrentado e aqueles outros caluniadores. Mas foi
enganado em suas esperanças, pois Vespasiano desconfiou e quis conhecer a
verdade; e vindo a sabê-la declarou inocentes, por solicitação de Tito, Josefo e
os outros que tinham sido falsamente acusados, e para castigar Jônatas, como
ele merecia, mandou queimá-lo vivo, depois de tê-lo feito açoitar com varas.
Quanto a Catulo, a clemência desses dois príncipes salvou-o. Mas logo
depois ele foi atacado de uma doença incurável e tão horrível, que por mais
extraordinárias e insuportáveis que fossem as dores, que ele sentia por todo o
corpo, as que lhe feriam a alma ainda as sobrepujavam de muito. Ele era
agitado sem cessar por um terror espantoso; dizia que via diante dos olhos os
espectros espantosos daqueles que tinha tão cruelmente feito morrer e não
podendo ficar quieto lançava-se do leito, como o teria feito da roda do suplício
ou do meio de um braseiro ardente. Seus males quase inacreditáveis
aumentaram, cada vez mais e por fim, com as entranhas devoradas pelo fogo,
que o consumia, ele acabou sua vida criminosa, por uma morte que provava
como Deus queria mostrar com um exemplo tão notável, a ferocidade dos
castigos que os maus devem esperar de sua justiça. Terminarei aqui a história
da guerra dos judeus contra os romanos, que eu havia determinado a dar ao
público, para prazer das pessoas que desejassem conhecê-la. Deixo, porém, o
juízo, aos que a lerem e contento-me de afirmar que nada acrescentei à
verdade, a qual é o único objetivo, que me propus, em tudo o que escrevi.",
"