Livro 7 Flávio Josefo
Capítulo 33 Flávio Josefo
,
"SILVA ATACA MASSADA E COMEÇA A BATER NOS MUROS. OS JUDEUS
CONSTRÓEM UM SEGUNDO, COM VIGAS E TERRA ENTRE OS DOIS. OS ROMANOS
INCENDEIAM-NO E PREPARAM-SE PARA DAR O ASSALTO NO DIA SEGUINTE.",
"537. Depois que Silva construiu este muro, que cercava totalmente os
judeus em Massada, começou o ataque à praça. Achou somente um lugar que
se podia encher de terra. Além da torre, que fechava o caminho do lado do
ocidente, pelo qual se ia ao palácio e ao castelo, havia uma rocha maior do que
essa, sobre a qual estava construído o castelo, chamada Leuce, isto é, branco;
porém, mais baixa trezentos côvados. Depois que Silva dela se apoderou, fez
levar terra por cima, por meio dos seus soldados e eles nisso trabalharam com
tanto entusiasmo, que ergueram uma massa de cem côvados de altura, mas
porque esta plataforma não parecia bastante firme e sólida para sustentar as
máquinas, Silva mandou construir em cima, com grandes pedras, uma espécie
de cavalete, que tinha cinqüenta côvados de altura e outros tantos de largura.
Além das máquinas ordinárias, havia também outras que Vespasiano e Tito
tinham inventado, e ergueu-se ainda sobre esse cavalete uma torre de sessenta
côvados toda coberta de ferro, de onde os romanos lançavam sobre os judeus,
tantos dardos e pedras, com suas máquinas, que eles não tinham mais cora-
gem de aparecer nas muralhas. Mandou depois o comandante construir um
grande aríete com o qual batia sem cessar no muro, mas com dificuldade
conseguiu abrir uma pequena brecha; os judeus construíram com incrível
presteza um outro muro, que não temia os esforços das máquinas, porque não
sendo de uma matéria resistente, amortecia-lhes os golpes, cedendo-lhes à
violência. Esse muro era construído com essa matéria. Puseram duas fileiras de
grossos caibros encaixados uns nos outros; o espaço que havia entre eles tinha
tanto de largura quanto o muro; encheram esse espaço de terra e para que não
se movesse sustentaram-no com outros pedaços de madeira. Assim, parecia
que aquele muro era um grande edifício; os golpes das máquinas não somente
se amorteciam, mas amassavam e tornavam ainda mais firme e sólido o bloco
de terra, que era argilosa. Silva, depois de ter considerado bastante esse
trabalho, achou que somente por meio do fogo poderia destruí-lo e mandou que
os soldados lhe atirassem uma grande quantidade de madeira em chamas.
Como aquele muro era quase todo também de madeira e havia bastante espaço
entre ambos, o fogo ateou-se em seguida; chegou às planícies e surgiu aos
poucos uma grande labareda. O vento do norte que soprava então a impeliu
contra os romanos, com tanta violência que eles perderam a esperança de
poder salvar suas máquinas. Mas, como se Deus se tivesse declarado em seu
favor, o vento mudou de direção de repente e começou a soprar outro, do lado
do sul, que, fazendo as chamas voltarem para o lado do muro, de tal modo
aumentou o incêndio que ele ficou destruído de alto a baixo. Os romanos
favorecidos com esse auxílio de Deus, voltaram com grande alegria ao seu
acampamento, dando gritos de alegria, com a intenção de dar o assalto no dia
seguinte ao alvorecer, redobrando a vigilância durante a noite, para impedir que
os judeus escapassem.",