🏠 Home ← Anterior Próximo →

Livro 7 Flávio Josefo

Capítulo 28 Flávio Josefo

13567891011121314151617181920212223242526272829303132333435363738
,
"CESÊNIO PETO, GOVERNADOR DA SÍRIA, ACUSA ANTÍOCO, REI DE
COMAGENA, DE TER ABANDONADO O PARTIDO DOS ROMANOS E PERSEGUE
MUITO INJUSTAMENTE ESSE PRÍNCIPE. MAS VESPASIANO TRATA-O, E
TAMBÉM AOS SEUS FILHOS, COM MUITA BONDADE.",
"532. No quarto ano do reinado de Vespasiano, Antíoco, rei de Comagena,
sofreu, com toda sua família, o revés de que vou falar. Cesênio Peto, governador
da Síria, quer por ódio a este soberano, quer porque fosse verdade, escreveu ao
imperador, dizendo que Antíoco e Epifânio, seu filho, tinham abandonado o
partido dos romanos, para abraçar o dos partos, e se não se impedisse, eles
ateariam uma guerra que perturbaria todo o império. A proximidade desses
dois reis tornava sua união mais temível e Samosata, a maior cidade de
Comagena, estava situada sobre o Eufrates, e dava ao rei dos partos a
comodidade de passar e tornar a passar facilmente o rio; Vespasiano achou que
não devia desprezar um aviso tão importante, ao qual prestava fé. Assim,
mandou Peto fazer o que julgasse conveniente; este, não perdeu tempo para
usar do poder. Entrou em Comagena com a décima legião, algumas coortes e as
tropas auxiliares de Aristóbulo, rei da Cálcida e de Soheme, rei de Emeso. Foi-
lhe fácil vencer Antíoco, porque não tendo idéia de que havia sido acusado, não
tinha outrossim a menor suspeita e como sinal de sua fidelidade, saiu da
capital com sua esposa e filhos e foi acampar a cento e vinte estádios, numa
planície. Peto tornou-se sem dificuldade senhor de Samosata, para lá mandou
uma guarnição e perseguiu Antíoco. Tão grande, tão injusta violência não foi
capaz de levar esse príncipe a tomar as armas contra os romanos; mas Epifânio
e Calínico, seus filhos, que eram jovens e muito valentes, julgaram que lhes
seria vergonhoso perder assim o reino sem tomar a espada. Reuniram o que
puderam de seus soldados, travaram um grande combate e demonstraram
tanta coragem que perderam poucos homens. Esse bom resultado, embora
favorável a Antíoco, não o fez, porém, resolver-se a ficar; ele fugiu para a Cilícia
com sua esposa e suas filhas; sua ausência fez seus soldados perderem toda a
esperança de poder conservar o reino que ele mesmo havia abandonado e,
assim, passaram para o lado dos romanos. Os dois irmãos, nessa extrema
contingência, atravessaram o Eufrates acompanhados somente por oito
cavaleiros, para se refugiarem junto de Vologeso, rei dos partos; este príncipe,
em vez de desprezá-los, em sua infeliz sorte, recebeu-os com não menor honra
do que se eles ainda estivessem gozando de toda prosperidade. Quando Antíoco
chegou a Tarso, na Cilícia, Peto mandou um oficial detê-lo, com ordem de levá-
lo acorrentado a Roma. Vespasiano não tolerou que se tratasse a um rei tão in-
dignamente. Julgou melhor relembrar sua antiga amizade, do que se deixar
levar pelo ressentimento, ante a ofensa que estava persuadido ter recebido dele
e que tinha dado motivo àquela guerra. Mandou então que lhe tirassem as
cadeias, sem obrigá-lo a continuar a viagem e que ele ficasse na Lacedemônia,
onde estipulou uma grande quantia, para suas despesas, a fim de que ele lá
pudesse viver como rei. Tão gentil tratamento não somente tirou Epifânio e
seus parentes da extrema apreensão em que estavam, pelo pai, mas fê-los
mesmo esperar reconquistar as boas graças do imperador, o que eles desejavam
ansiosamente, porque não se podiam julgar felizes estando mal com os
romanos. Vologeso escreveu em seu favor a Vespasiano, que lhes permitiu, com
muita bondade, vir a Roma. Seu pai também para lá foi, logo depois; e
enquanto lá permaneceram sempre foram tratados com grande honra.",