Livro 7 Flávio Josefo
Capítulo 31 Flávio Josefo
,
"SILVA ORGANIZA O CERCO DE MASSADA. DESCRIÇÃO DA POSIÇÃO, DA FORÇA E DA
BELEZA DESSA PRAÇA.",
"535. Silva avançou com o exército romano para sitiar Massada, defendida
por Eleazar, chefe dos sicários; começou ele por colocar guamições em todos os
lugares dos arredores, que julgou necessárias para se apoderar do país,
mandou em seguida cercar a praça, com um muro, colocando um corpo de
guardas, para que ninguém pudesse escapar, armou seu acampamento no
lugar onde os rochedos do castelo estão próximos do monte vizinho. Não
encontrou poucas dificuldades nesse assédio; porque para manter seu exército,
não somente era necessário mandar buscar víveres muito longe, o que era um
grande trabalho para os judeus, que nisso ele empregava, mas iam mesmo a
outras partes, buscar água, porque ali não havia, nem fontes, nem regatos. A
essas dificuldades juntava-se a da resistência da praça. Estava construída
sobre uma grande rocha, cujo vértice, muito elevado, é de longa extensão.
Rodeada também de todos os lados por vales profundos, cujo fim não se
alcança com a vista, porque outras rochas o ocultam. É inacessível mesmo aos
animais, exceto por dois caminhos, pelos quais lá se sobe, embora com
dificuldade: um do lado do oriente, que corresponde ao lago Asfaltite; o outro do
lado do ocidente, um pouco menos difícil. Deu-se a um destes caminhos o nome
de cobra, porque ele descreve curvas e mais curvas que as rochas que lá se
encontram o obrigam a fazer; há desvios, de um lado e de outro, para se poder
progredir, pouco a pouco; por ali caminha-se com grande dificuldade, porque se
deve ter todo o cuidado, no mudar os pés, a fim de não se escorregar; a morte é
inevitável se se vier a cair entre essas rochas, tão altas e tão escarpadas, que os
mais ousados não as poderiam contemplar, sem temor. Depois de se ter
chegado por esse caminho, cuja extensão é de trinta estádios, ao cume do
monte, vemos, que este em vez de terminar em ponta torna-se uma planície. O
sumo sacerdote Jônatas foi o primeiro que escolheu esse lugar para construir
um castelo ao qual ele chamou de Massada, e Herodes, o Grande, não poupou
despesas para fortificá-lo, o mais possível. Rodeou-o por um muro construído
com pedras brancas, de doze côvados de altura e de oito de largura. O
perímetro do muro era de sete estádios e ele o fortificou com trinta e sete torres
de cinqüenta côvados de altura cada uma, as quais se comunicavam com
aposentos, bastante espaçosos, construídos em redor desse muro, nas
adjacências; e, como a terra dessa pequena planície era muito fértil, ele quis
que fosse cultivada para prover à subsistência dos que ali buscassem sua
segurança, se não pudessem obter víveres de outros lugares. O príncipe tinha
ainda mandado construir no recinto desse castelo, do lado do norte, um
soberbo palácio ao qual se subia pelo caminho do lado do ocidente. As mura-
lhas eram muito altas e muito fortes e nos quatro cantos havia quatro torres de
sessenta côvados de altura. Os aposentos do palácio, suas galerias e seus
banheiros, eram admiráveis; colunas de um só bloco de pedra sustentavam-nas
e o conjunto era tão fortemente unido, que nada podia ser mais firme. O
pavimento era de mármore de diversas cores. Herodes tinha feito cavar muitas
cisternas na rocha, para conservar a água da chuva, porque as fontes não
forneciam o suficiente para todos. Um fosso, que não se podia ver de fora,
levava desse palácio, para o alto do castelo, que lhe era como a cidadela;
aqueles que tivessem algum plano de conquistar essa praça mal lhe podiam ver
as estradas de acesso bastante difícil; quanto ao que estava do lado do oriente,
era tal como nós a descrevemos; tinham construído a mil côvados longe do
castelo, no lugar mais estreito do caminho, uma torre que lhe fechava a
passagem e que não era fácil de se tomar. Toda a estrada tinha mesmo sido
feita de tal sorte que era muito difícil passar-se por aí, embora não se
encontrassem obstáculos. Assim, natureza e arte, pareciam ter trabalhado sem
descanso, para fortificar essa praça.",