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Livro 7 Flávio Josefo

Capítulo 17 Flávio Josefo

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,
"CONTINUA O SOBERBO ESPETÁCULO TRIUNFAL DE TITO E VESPASIANO.",
"520. É impossível descrever a magnificência desse festejo triunfal. Ela
sobrepuja mesmo tudo o que se pode imaginar, quer pela excelência das obras,
quer pela quantidade de riquezas e semelhança das coisas que ali estavam tão
admiravelmen-te representadas. O que todas as nações mais felizes tinham
podido em tantos séculos reunir de mais precioso, de mais maravilhoso e de
mais raro, parecia ter-se juntado naquele dia, para manifestar até que ponto ia
a grandeza do império. O ouro, a prata e o marfim brilhavam em tal
abundância, num número incrível de obras excêntricas e preciosas, que não
pareciam se apresentar por partes, isoladamente, como numa pompa solene,
mas ali estar dispostos em massa. Viam-se todas as espécies de vestuários de
púrpura, admiravelmente recamados à maneira dos babilônios, uma
quantidade enorme de pedrarias, umas encastoadas em coroas de ouro, outras,
em objetos preciosos; a beleza era surpreendepte, de tal sorte que jamais se
teria pensado poder ainda contemplar algo de semelhante. Havia estátuas dos
deuses, das diversas nações, de tamanho surpreendente, executadas por
mestres excelentes em que a arte não perdia para a matéria, por mais preciosa
que fosse.
Havia ainda várias espécies de animais raros e estimados, pela sua
qualidade; os que levavam ou traziam essas coisas, que tinham sido destinadas
para servir a pompa festiva, estavam revestidos de mantos recamados de ouro e
de outros hábitos tão ricos que nada poderia ser mais suntuoso. Os próprios
escravos estavam tão bem vestidos e de maneiras tão diferentes, que aquela
variedade impedia que se notasse a tristeza da escravidão esculpida em seus
rostos. Nada, porém, causava tanta admiração aos espectadores do que as
diversas representações, como grandes armações de três ou quatro andares.
Todas elas estavam adornadas com enfeites de ouro e de marfim e a todo
momento se imaginava ver sucumbir sob tal peso o grande número de homens
que as levavam. Eram imagens de cenas de guerra, as mais notáveis
representadas ao natural, que pareciam mesmo reais. Viam-se províncias muito
férteis, devastadas, tropas inteiras feitas em pedaços, outras, postas em fuga,
várias, feitas prisioneiras, muralhas fortíssimas, derrubadas pelas máquinas,
castelos tomados e destruídos, grandes cidades, mui povoadas, tomadas de
assalto, um exército inteiro entrando pela brecha, passando todos a fio de
espada, sem poupar mesmo os que como única defesa usavam de rogos e
súplicas, queimando Templos, sepultando em suas ruínas todas as casas e
aqueles que antes lhes eram senhores; por fim, a ferro e fogo praticando toda
sorte de crueldades, tão horríveis, que em vez de águas favoráveis, que tornam
a terra fecunda e matam a sede aos homens e aos animais, eram regatos de
sangue que apagavam uma parte do incêndio, tornando desertas as cidades e
fazendo delas um montão de cinzas. Os judeus tinham experimentado todos
esses males que a guerra mais cruel, que se pode imaginar, é capaz de
produzir.
Sobre cada uma dessas cidades estava representado aquele que as havia
defendido e de que maneira havia sido aprisionado. Vinham em seguida vários
navios; entre a grande quantidade de despojos, os mais notáveis eram os que
tinham sido feitos no Templo de Jerusalém; a mesa de ouro, que pesava vários
talentos, o candelabro de ouro, feito com tanta arte, para torná-lo próprio ao
uso, ao qual era destinado. Do seu pé elevava-se uma espécie de coluna, de
onde saía como o tronco de uma árvore, de sete ramos, na ponta de cada um
dos quais, estava um braço em forma de lâmpada; o número sete significava o
sétimo dia, o sábado, tão santificado pelos judeus, que o observam tão
religiosamente. Sua lei, que é a coisa pela qual eles têm a maior veneração,
encerrava essa magnífica exposição de tantos e tão ricos despojos, que os
romanos lhes haviam conquistado. Várias estátuas da vitória, todas de ouro e
de marfim, vinham em seguida. Por fim, vinha Vespasiano, seguido de Tito, e
Domiciano os acompanhava tão soberbamente vestido e montado sobre um
lindo cavalo, que ninguém se cansava de contemplá-lo.",